ONU investiga relatos de violência sexual envolvendo soldados sul-sudaneses

22 julho 2016

Vítimas seriam deslocados da última onda de violência; Juba teve reforço de patrulhas em torno do local de proteção de civis da ONU e em várias áreas; relator apela à libertação de um proeminente jornalista do Sudão do Sul.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Unmiss, anunciou que está a acompanhar os relatos de violência sexual nos arredores da Casa das Nações Unidas e em vários bairros da capital Juba.

Antes, a operação de paz confirmou que teve acesso a informações de atos que incluem violação e estupro coletivo, que teriam sido cometidos por soldados locais contra civis, que incluem menores de idade.

Crimes de Guerra

De acordo com a missão, o número de vítimas pode rondar as dezenas e os atos teriam ocorrido desde o início da recente onda de violência na maior cidade sul-sudanesa.

Uma equipa de Direitos Humanos da Unmiss está a documentar os casos e ressalta que “podem ser considerados crimes de guerra”.

A missão apelou ao presidente sul-sudanês, Salva Kiir, e ao primeiro vice-presidente, Riek Machar, para que assumam “responsabilidade pessoal” pela punição imediata dos soldados que teriam realizado "atos inaceitáveis de violência sexual".

Patrulhas

A missão de paz declarou que tem estado a intensificar as suas patrulhas em torno do local de proteção de civis e em vários lugares de Juba, embora com restrições.

Estão também em curso medidas para oferecer segurança necessária a mulheres que precisam sair dos locais de proteção para levar a cabo atividades como recolher lenha ou fazer compras.

A situação no país continua a ser considerada “tensa e volátil”.

Jornalista Detido

Num outro desenvolvimento, o relator especial da ONU sobre o Direito à Liberdade de Opinião e de Expressão, David Kaye, pediu a libertação imediata de um proeminente jornalista do país.

Detido sem qualquer acusação, Alfred Taban é editor-chefe do jornal diário Juba Monitor. Ele escreveu um editorial na sequência da violência que eclodiu há cerca de duas semanas.

Acordo de Paz

Agentes dos Serviços de Segurança Nacional prenderam Taban a 16 de julho, um dia após a matéria que Salva Kiir e Riek Machar deixassem o poder ao criticar a “implementação mal-sucedida do acordo de paz” de agosto 2015.

Kaye considera cruciais medidas ativas para promover a liberdade de expressão para todos, num país que procura estabelecer a paz.

Para o especialista, “qualquer pressão contra jornalistas com base no conteúdo das suas reportagens representa uma medida regressiva que o Sudão do Sul não se pode dar ao luxo de tomar”.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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