África deve investir US$ 600 mil milhões anuais para cumprir metas globais

21 julho 2016

Unctad recomenda novas fontes de renda para financiar o desenvolvimento no continente; relatório alerta para possível crise devido ao rápido aumento da dívida dos países.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

África vai precisar de pelo menos US$ 600 mil milhões por ano para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs. O valor equivale a um terço do Produto Interno Bruto, PIB, dos países do continente.

A estimativa foi divulgada esta quinta-feira, em Nairobi, pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad. A agência lançou o relatório Dinâmicas das Dívidas e Finanças para o Desenvolvimento em África.

Parcerias

O documento destaca que governos africanos carecem de novas fontes de receita para financiar o seu desenvolvimento. Entre elas estão remessas e parcerias público-privadas, além do combate aos fluxos financeiros ilícitos.

O documento refere que apesar dos aparentes níveis insustentáveis das dívidas de alguns países, os rácios da dívida externa de várias economias podem ser geridos.

A recomendação aos Estados é que tomem medidas para impedir que o crescimento rápido da dívida seja transformado numa crise, tal como ocorreu no fim dos anos 80 e 90.

Futuro

O secretário-geral da Unctad, Mukhisa Kituyi, disse que é preciso “encontrar um equilíbrio entre o presente e o futuro porque a dívida é perigosa quando insustentável”.

A Unctad constata que com os valores da ajuda ao desenvolvimento e da dívida externa, é pouco provável cobrir as necessidades dos países.

O estudo revela que o continente viveu uma década de forte crescimento em muitos países, que proporcionou uma oportunidade de acesso aos mercados financeiros internacionais.

No entanto, altas dívidas internas foram observadas em nações africanas como Gana, Quénia, Nigéria, Tanzânia e Zâmbia.

Fluxos Ilícitos

Em algumas economias africanas, a dívida interna aumentou de uma média de 11% em relação ao Produto Interno Bruto em 1995, para cerca de 19% no fim de 2013. O relatório chama a atenção para o facto de corresponder a “quase o dobro em duas décadas”.

O estudo recomenda que os países africanos procurem fontes complementares de receitas como remessas, que chegaram a atingir US$ 63,8 mil milhões em 2014.

As economias do continente também devem abordar o problema dos fluxos financeiros ilícitos a partir do continente, que chegam a US$ 50 mil milhões anuais.

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