Unicef: mortes de adolescentes devido à Aids dobraram desde 2000
BR

18 julho 2016

Conferência Internacional sobre a doença começa nesta semana na África do Sul; chefe do Unicef cita “progresso inegável” feito nas últimas três décadas no combate ao HIV, mas afirma que “luta não acabou”.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Na véspera da Conferência Internacional sobre Aids, que será realizada nesta semana em Durban, na África do Sul, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, fez um alerta: apesar do progresso global “notável” no combate ao HIV/Aids, é preciso fazer mais para proteger crianças e adolescentes da infecção.

Segundo a agência da ONU, o número de mortes relacionadas à Aids entre adolescentes de 15 a 19 anos mais do que dobrou desde 2000.

Meninas

Em 2015, em todo o mundo, houve uma média de 29 novas infecções por hora nesta faixa etária.

Embora os índices de novas infecções entre adolescentes tenham se estabilizado, o Unicef está preocupado que o crescimento esperado desta população nos próximos anos possa significar um aumento no número geral de casos.

A agência alerta que meninas são particularmente vulneráveis, representando até 65% de novas infecções entre adolescentes em todo o mundo.

Morte

Na África Subsaariana, onde estão cerca de 70% das pessoas no mundo vivendo com HIV, três em cada quatro adolescentes infectados pelo vírus em 2015 eram meninas.

O chefe do Unicef, Anthony Lake, destacou que após todos os avanços e vidas salvas graças à prevenção e ao tratamento e após “todas as batalhas vencidas contra o preconceito e a ignorância relacionados à doença”, a Aids ainda é a “segunda causa de morte para pessoas com idades entre 10 e 19 anos em todo mundo, e a principal causa na África”.

Teste

No entanto, o medo do teste impede que muitos jovens saibam seu status. Entre adolescentes, apenas 13% das meninas e 9% dos meninos foram testados no último ano.

Uma nova pesquisa, conduzida pela ferramenta móvel do Unicef U-report, mostrou que cerca de 68% dos 52 mil jovens participantes, em 16 países, afirmaram que não queriam ser testados.

Os motivos seriam o medo de um resultado HIV-positivo e preocupação com estigma social.

Nascimento e Amamentação

Ao mesmo tempo, novas infecções entre crianças, por conta da transmissão no nascimento ou durante a amamentação, caíram 70% desde o ano 2000.

O chefe do Unicef destacou a “necessidade urgente” de inovação e vontade política para alcançar todas as crianças.

Em 2015, metade das novas infeções entre crianças com idades entre 0 e 14 anos ocorreu em seis países: Nigéria, Índia, Quênia, Moçambique, Tanzânia e África do Sul.

Para Lake, o “progresso inegável” feito nas últimas três décadas no combate à doença não significa que a “luta tenha acabado”.

Nesta segunda, primeiro dia da conferência, o Unicef organizará, entre outros eventos, uma sessão sobre inovação no combate ao HIV.

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