Novos confrontos no Sudão do Sul já mataram mais de 270 pessoas

12 julho 2016

Pelo menos 36 mil sul-sudaneses foram deslocados desde o início dos combates na quinta-feira; violência alastrou-se para mais dois estados além da capital Juba; ONU informa que civis foram baleados a caminho de locais de proteção.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As Nações Unidas anunciaram que pelo menos 272 pessoas foram mortas nos últimos cinco dias no Sudão do Sul em confrontos entre as forças leais ao presidente Salva Kiir e as que apoiam o primeiro vice-presidente, Riek Machar.

As vítimas incluem 33 civis, segundo informações compiladas a partir de dados do governo sul-sudanês.

Embargo

O Conselho de Segurança reúne-se esta terça-feira com o secretário-geral, Ban Ki-moon, na sequência de um pedido feito pelo chefe da ONU para que o órgão declare um embargo imediato de armas ao país.

O pedido de Ban inclui  mais sanções “aos que ameacam a paz, a segurança ou a estabilidade” e o reforço da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Unmiss, para que proteja os civis.

Refúgio

As estimativas preliminares indicam que pelo menos 36 mil pessoas foram deslocadas pelos combates e procuram refúgio em instalações da ONU e vários outros locais da capital, Juba.

Entretanto, o Escritório dos Direitos Humanos expressou profunda preocupação com relatos de civis que foram impedidos de buscar refúgio no complexo da Unmiss. A nota cita casos de pessoas baleadas ao tentar chegar a esses locais.

Civis

Esses complexos foram atingidos ou “diretamente visados” pelos ataques. Entre domingo e segunda-feira, oito pessoas morreram e 59 ficaram feridas nos arredores dos locais que protegem civis.

O escritório condena com veemência o assassinato de dois soldados de paz da ONU, sendo que vários outros ficaram feridos. A nota lembra que ataques contra civis e instalações e pessoal das Nações Unidas “podem ser considerados crimes de guerra.”

A violência chegou aos estados sul-sudaneses de Equatória Central e Equatória Oriental, que registaram confrontos armados em pelo menos quatro localidades.

Fronteiras

O escritório saudou o cessar-fogo anunciado por Salva Kiir e Riek Machar na segunda-feira e pede que ambos “exerçam liderança máxima e um esforço concertado e genuíno para que as suas forças não combatam entre si”. O outro pedido é que “façam o seu melhor para garantir a proteção dos civis.”

O Alto Comissario para Refugiados, Acnur, pediu às partes armadas que garantam a passagem segura para os que fogem dos combates. O apelo aos países vizinhos é que mantenham as fronteiras abertas para os que buscam asilo.

O aeroporto da capital Juba está fechado devido à tensão. A agência da ONU acompanha o movimento das populações nas fronteiras do Sudão do Sul com países como Uganda, Etiópia e Quénia.

Acesso Bloqueado

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que várias mães e crianças foram vistas a fugir e a tentar chegar às áreas de proteção, cujo acesso é bloqueado pelas partes envolvidas nos confrontos.

Várias pessoas e as suas famílias acabam por refugiar-se em igrejas e escolas sem acesso a serviços de saúde, água e saneamento. A agência apoiou o Ministério da Saúde com kits cirúrgicos e de trauma para emergências, além de medicamentos e sacos para os corpos das vítimas.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, pediu que as partes permitam que continue a salvar vidas, juntamente com os parceiros, num ambiente seguro com acesso irrestrito para os 1,6 milhões de deslocados internos que carecem de ajuda humanitária.

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