Após novas mortes, Ban pede embargo de armas e sanções ao Sudão do Sul

11 julho 2016

Secretário-geral reúne-se terça-feira com Conselho de Segurança; agências de notícias revelam que novos combates causaram pelo menos 200 mortos desde o fim de semana; mais de 10 mil pessoas fugiram somente na capital Juba.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O secretário-geral das Nações Unidas pediu esta segunda-feira ao Conselho de Segurança novas medidas punitivas para o Sudão do Sul.

Ban Ki-moon disse a jornalistas em Nova Iorque que fez um apelo ao órgão primeiro para “impor um embargo imediato de armas” e segundo, que declare novas “sanções a líderes que bloqueiam a implementação do acordo de paz no país”.

Mandato

Ban disse que o Conselho deve fortalecer a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Unmiss, para que cumpra o mandato para proteger civis.

Agências de notícias revelaram que mais de 200 pessoas morreram nos confrontos que ocorrem desde sexta-feira, nas vésperas da celebração dos cinco anos da independência sul-sudanesa.

Casas

A ONU indica que mais de 10 mil pessoas fugiram das suas casas após os novos combates entre forças leais ao presidente Salva Kiir e ao seu vice-presidente, Riek Machar.

Ban destacou que os confrontos “ridicularizam o processo” de paz. Segundo ele, dois elementos chineses das tropas de paz e um funcionário da ONU do país foram mortos. Dois complexos da organização foram atacados, com a morte de pelo menos dois deslocados e a fuga de milhares para vários locais da cidade.

Falha

Ban destacou o que chamou de liderança falhada, na mensagem que insta a Salva Kiir e a Riek Machar a fazerem tudo para parar com os combates.

Ele pediu ainda aos países que continuam no terreno que permaneçam porque qualquer retirada envia um sinal de guerra dentro e fora do Sudão do Sul. Na terça-feira, o chefe da ONU terá um encontro com o Conselho de Segurança para debater a crise.

Ban disse estar em consultas com a sua equipa para participar na Cimeira da União Africana, esta semana, com vista a encontrar formas de restaurar o processo de paz.

Atrocidades

O chefe da ONU declarou que deve haver “responsabilização pelas atrocidades cometidas desde 2013”, no Sudão do Sul, por pessoas que incluem líderes, chefes militares e cúmplices da violência.

As hostilidades alastraram-se para o estado de Equatória Central. Num momento em que soldados de paz fazem patrulhas fora dos locais que protegem civis, Ban pediu acesso e movimento irrestritos do pessoal da ONU e dos funcionários humanitários que pretendem apoiar civis.

Agências de notícias informaram que nesta segunda-feira soaram tiros e explosões de artilharia pesada na capital.

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Deslocados internos em Juba, Sudão do Sul. Foto: ONU/JC McIlwaine

InstalaçõesO Programa Mundial de Alimentação, PMA, revelou que mais de 3 mil sul-sudaneses estão refugiados nas suas instalações principais nos arredores de Juba.

A agência disse que pode precisar de comida se a situação se estender por mais tempo. Por isso, decorrem trabalhos para assistir aos que estão abrigados em vários locais da cidade.

Grande parte do transporte aéreo foi interrompida e a situação humanitária em algumas partes do país é “extremamente precária”. Neste momento é necessária alimentação e nutrição para os que estão a enfrentar a temporada de escassez.

Confrontos

Uma nota do relator das Nações Unidas sobre os deslocados internos, Chaloka Beyani, revela que aumentar o número de desalojados que vivem em Juba,  antes 30 mil.

Nas cidades de  Wau e  Bahr al-Ghazal, no estado Ocidental, aldeias ficaram vazias nas últimas semanas porque os “civis fugiram para o mato por causa da violência”.

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ONU ajuda a albergar desalojados pelos combates em cidades como Wau. Foto: Unmiss.

Igrejas e Escolas Nas duas cidades, cerca de 83 mil pessoas procuram refúgio em igrejas, escolas e fora da base da Unmiss.

O especialista afirmou que as autoridades devem respeitar o acordo de paz, agora violado, e recordou aos envolvidos no conflito das suas obrigações sob o direito humanitário internacional para proteger os civis em tempos de conflito.

Beyani disse que trabalhadores humanitários foram interrompidos e ameaçados em postos de controlo enquanto transportavam bens para tentar prestar assistência e que estes não puderam chegar às populações necessitadas.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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