Milhares de centro-africanos deixam o seu país por temor de novos ataques

8 julho 2016

Destinos principais são o Chade e os Camarões; milícias rivais ex-Séléka e anti-Balaka envolveram-se em confrontos entre criadores de gado e agricultores no noroeste; Acnur distribui  auxílio aos recém-chegados.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Cerca de 6 mil centro-africanos cruzaram a fronteira para os vizinhos Chade e Camarões para fugir da tensão e por temer confrontos que ocorrem desde meados de junho a noroeste do país.

A informação foi dada esta sexta-feira, em Genebra, pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, que apoia as autoridades na triagem e no registo de recém-chegados.

Violência

Confrontos entre criadores de gado e agricultores são frequentes quando ocorre o movimento de animais na cidade de Ngaoundaye, na região de Ouham Pende. Mas desde junho passado houve envolvimento das milícias rivais ex-Séléka e anti-Balaka.

A agência acompanha o movimento nos limites entre os países e oferece auxílio por causa da violência que surge meio ano após a eleição do presidente Faustin-Archange Touadéra. Em três anos de conflito, milhares de pessoas morreram e outros cerca de 1 milhão foram obrigadas a deixar as suas casas.

Fronteiras

No Chade continuam a chegar mais centro-africanos, após o registo de 5.643 refugiados em aldeias próximas da fronteira. Pelo menos 555 pessoas atravessaram a vila de Yamba, no leste dos Camarões.

Este ano, os confrontos afetaram até 30 mil pessoas, que incluem deslocados internos, na República Centro-Africana.

Relatos dos recém-chegados indicam haver pessoas que fugiram para o mato e que podem tentar atravessar fronteiras se a situação não melhorar. Os refugiados dizem ter assistido assassinatos, sequestros, saques e o incêndio das suas casas.

Combatentes  

A maioria fugiu ataques diretos nas suas aldeias. Outros disseram temer que os combates os encontrassem nas suas casas, já que os combatentes estariam “fortemente armados”.

Grande parte dos recém-chegados é composta por mulheres, crianças e idosos mas há um número maior de homens em fuga “deixando para trás os meios para sobreviver”.

Menores

A fronteira centro-africana com o Chade está oficialmente fechada, mas as pessoas continuam a usa-la. Cerca de dois terços dos recém-chegados têm menos de 18 anos e centenas deles estão desacompanhados ou separados das famílias.

O Acnur disse haver pessoas registadas como vulneráveis com necessidades específicas por chegarem cansadas, fracas, com fome e traumatizadas.

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