26,5 milhões de crianças africanas continuam sofrendo impactos do El Niño
BR

7 julho 2016

Apesar do fenômeno ter chegado ao fim este ano, Unicef alerta para sofrimento de menores do leste da África e da África Austral; maioria passa fome; fenômeno deve ter contribuído com propagação da zika.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O ciclo 2015-2016 do fenômeno El Niño chegou ao fim, mas 26,5 milhões de crianças africanas vão continuar sofrendo pelos próximos meses.

Um estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revela que fome, desnutrição e doenças atingem principalmente a população da África Austral e do leste do continente africano.

Zika

O relatório divulgado esta quinta-feira destaca que este El Niño foi um dos mais fortes já registrados, causando as maiores altas de temperatura dos últimos 130 anos, além de secas severas e inundações.

O Unicef explica que o acesso à água potável ficou escasso em muitos países, o que levou ao aumento de casos de dengue, de diarreia e de cólera. No Brasil, o El Niño “criou condições para a reprodução do mosquito transmissor da zika, da dengue e da febre amarela”.

Moçambique

Já em Angola, 1,4 milhão de pessoas estão sendo afetadas pela seca, sendo 756 mil crianças. A maioria vive em províncias do sul semi-árido. A desnutrição severa afeta 96 mil crianças e um surto de febre amarela que começou em dezembro já matou mais de 345 pessoas.

Outro país de língua portuguesa destacado no relatório do Unicef é Moçambique. O país enfrenta a pior seca em 30 anos. Com isso, 1,5 milhão de habitantes sofrem com a insegurança alimentar e a expectativa é de que 190 mil crianças fiquem desnutridas nos próximos 12 meses.

Aids

A agência da ONU também está muito preocupada com a possibilidade dos impactos do El Niño levarem ao aumento dos casos de HIV, especialmente no sul da África. Um estudo feito em 2014 em 18 nações africanas mostrou que a taxa de infecção em áreas rurais subiu 11% depois de uma seca severa.

A insegurança alimentar também prejudica os pacientes, que acabam não tomando o antirretroviral de estômago vazio e usam os recursos limitados para comprar comida ao invés de pegar o transporte até o posto de saúde.

La Niña

No sul da África, nove países tem prevalência do HIV em adultos de mais de 10%, como África do Sul, Botswana, Lesoto, Moçambique e Zâmbia. E essas nações foram muito impactadas pelo El Niño.

O relatório “Ainda Não Terminou – O Impacto do El Niño sobre as Crianças” chama também a atenção para a probabilidade do fenômeno La Niña ocorrer ainda neste ano, o que poderá agravar ainda mais a crise humanitária em vários países.

O estudo divulgado pelo Unicef também traz dados dos impactos do El Niño no Haiti, em El Salvador, em Fiji, no Vietnã, na Etiópia e outros países.

 

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