Agências da ONU debatem “impacto arrasador” do El Niño na América Central
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29 junho 2016

Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, convocou reunião de alto nível para esta quinta-feira, 30 de junho; Fida e PMA também participam; 3,5 milhões de pessoas no chamado “Corredor Seco” da região estão em situação de insegurança alimentar.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Agências das Nações Unidas se reúnem nesta quinta-feira para discutir formas de melhorar a reposta de longo prazo para as questões climáticas da região da América Central.

O El Niño tem tido um efeito “arrasador” no chamado “Corredor Seco” da região, onde uma das piores secas em décadas deixou 3,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.

Encontro de Alto Nível

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, convocou uma reunião de alto nível em 30 de junho, junto com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida, e o Programa Mundial de Alimentos, PMA.

Segundo a FAO, o encontro se concentrará na “necessidade urgente de ação de longo prazo para abordar o impacto do El Niño, incluindo construção de resiliência para segurança alimentar e nutrição para as populações mais vulneráveis nos países afetados”.

Mobilização Internacional

A FAO mencionou ainda que o “objetivo deste encontro de alto nível é aumentar a conscientização e resposta a essa crise prolongada e recorrente”.

Outro propósito é "mobilizar a comunidade internacional para apoiar as ações de governos, agências da ONU e outros parceiros”.

El Niño é o termo usado para descrever o aquecimento de águas do Pacífico que ocorre, em média, de cada três a sete anos.

O fenômeno aumenta as temperaturas da superfície do mar e tem um impacto em sistemas climáticos ao redor do globo: alguns locais recebem mais chuvas; outros, nenhuma, frequentemente no oposto do padrão climático usual.

A FAO alertou que embora o El Niño, e sua contrapartida La Niña, ocorra de forma cíclica, nos últimos anos condições climáticas extremas associadas a estes fenômenos, como secas e enchentes, têm crescido em frequência e gravidade.

Mudança Climática

Segundo a agência da ONU, isto estaria ocorrendo principalmente devido aos efeitos da mudança climática.

Em El Salvador, Guatemala e Honduras, os países mais atingidos, aproximadamente 2,8 milhões de pessoas dependem de ajuda alimentar, de acordo com FAO.

Corredor Seco

A agência alertou ainda que a situação está colocando em risco os meios de subsistência de milhões de pequenos agricultores no chamado Corredor Seco. Muitos desses dependem fortemente da agricultura de subsistência.

O termo Corredor Seco define um grupo de ecossistemas na região de florestas tropicais secas na América Central, cobrindo terras baixas da área da costa do Pacífico e a maior parte da região central antes das montanhas de El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e partes da Costa Rica e do Panamá.

Ainda segundo a FAO, os riscos climáticos no Corredor Seco são representados principalmente por secas recorrentes, chuvas excessivas e fortes enchentes afetando a produção agrícola. Os impactos em áreas degradas têm maior intensidade.

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