Relatório revela que drogas mataram pelo menos 207 mil pessoas em 2014
BR

23 junho 2016

Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, afirma que 29 milhões de usuários sofrem transtornos associados ao consumo; estudo traz casos de países lusófonos como Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

As Nações Unidas revelaram que 207 mil pessoas morreram por causa do uso de drogas em 2014. Em relatório, divulgado esta quinta-feira, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, afirma que 5% de pessoas entre 15 e 64 anos usaram drogas pelo menos uma vez.

O Relatório Mundial Sobre Drogas 2016 foi publicado na sede do Unodc em Viena, em Genebra e em Nova York, simultaneamente.

Razões

O estudo destaca que mais de 29 milhões de pessoas sofrem de transtornos relacionados ao uso de drogas. Em apenas um ano, houve um aumento de 2 milhões de novos casos de distúrbios.

Para o Unodc, uma das razões é o aumento do consumo de heroína na América do Norte e em algumas partes da Europa ocidental e central.

Falando à Rádio ONU, de Genebra, a chefe da Divisão de Prevenção, Vulnerabilidade e Direitos do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids, Mariângela Simão, comentou a situação nos países de língua portuguesa.

Violência

"Alguns dados são bastante importantes para vários países entre os quais os de língua portuguesa, nos quais a via da droga injetável não é tão importante, mas o aumento substantivo no uso de anfetaminas e estimulantes que está sendo observado em todos os países. É um tipo de comportamento no uso de drogas que inclui a adoção de comportamentos de risco como relações sexuais não protegidas e muitas vezes casos de violência."

O documento revela que a cannabis continua a ser a droga mais usada em todo o mundo, com 182,5 milhões de consumidores. O Brasil destruiu mais de 1,3 milhão de plantas em 2014.

Entre 1998 e 2014, dobrou a quantidade de cocaína apreendida na América do Sul. O Brasil sozinho apreendeu 7% das 392 toneladas em toda a região em 2014.

Mas o país é o ponto de origem mais citado entre as nações latino-americanas que exportam cocaína para mercados não-europeus, especialmente os continentes africano e asiático.

O Brasil também aparece no documento pelo uso do crack. Menos de 25% dos usuários, que na maioria vivem nas ruas, frequentou a escola secundária. A prevalência de HIV nesses usuários é oito vezes mais alta que o da população em geral brasileira, que é de 0,6%.

Guiné-Bissau e Cabo Verde

A Guiné-Bissau é citada no relatório pelo aumento das reservas cambiais de US$ 33 milhões em 2003 para US $ 174 milhões em 2008. O aumento foi reflexo de lavagem de dinheiro que teve origem nas drogas.

Cabo Verde teve o maior número de apreensões de cocaína na África Ocidental entre 209 e 2014. Mas a Itália e a França registaram as maiores apreensões, no que sinaliza o aumento do transporte da droga para a Europa.

Apesar da queda de 38% na produção mundial de ópio, a heroína continua bastante disponível porque os seus traficantes armazenaram grandes stocks das colheitas abundantes dos últimos anos.

Cerca de 17 milhões de usuários de drogas são viciados em opiáceos, que incluem a heroína, ópio e morfina. As substâncias derivadas do ópio continuam a representar a maior ameaça para a saúde dentre as drogas principais.

A continuação do baixo consumo da cocaína nos Estados Unidos e na Europa reduz o mercado global da droga, enquanto a quantidade aumenta na Colômbia, o maior produtor mundial de folhas de coca.

*Apresentação: Mônica Vilella Grayley.

 

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