Sudão do Sul: ONU vai dar seguimento ao inquérito sobre mortes em Malakal

23 junho 2016

Conselho de Segurança teve informe sobre episódios de violência onde morreram pelo menos 30 em local de proteção de civis; investigação cita problemas de comando, coordenação e expectativas irrealistas para proteger desalojados.

A ONU declarou que leva “muito a sério” a investigação sobre incidentes que causaram mortos num complexo que abriga civis em Malakal, no Sudão do Sul.

Um informe discutido, esta quarta-feira, em reunião à porta fechada no Conselho de Segurança, aponta que houve confusão no comando e no controlo de regras que tornou difícil a resposta de alguns soldados da paz na área do mais novo país do mundo.

Resposta

O subsecretário-geral para as Operações de Paz, Hervé Ladsous, comprometeu-se a dar seguimento às recomendações da equipa que fez o inquérito. O estudo indica que houve uma resposta inadequada de algum pessoal no terreno na cidade de Malakal.

Foi nos dias 17 e 18 de fevereiro que pelo menos 30 deslocados internos perderam a vida em episódios de violência entre os moradores do local. Outros 123 ficaram feridos e uma parte significativa do acampamento foi destruída.

Apoio

Ladsous disse que faltou capacidade de resposta e de entendimento de regras. Na reunião participaram os subsecretários-gerais da ONU para o Apoio ao Terreno, Atul Khare, e para os Assuntos Humanitários, Stephen O'Brien.

Os 15 Estados-membros foram informados sobre o estado dos que agora são conhecidos como locais de proteção de civis, que nos últimos dois anos foram instalados e continuam a operar no Sudão do Sul.

No total, 158.727 civis procuram segurança em seis locais próximos às bases da Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss. Malakal tem o segundo acampamento mais povoado do país, com 32 mil pessoas, logo a seguir a Bentiu com mais de 95 mil. Na capital, Juba, estão perto de 28 mil deslocados.

Grande Número

O chefe das Operações de Paz disse não haver dúvidas que naquele momento, “foi tomada a decisão certa ao acolher as pessoas, muitas das quais estariam mortas se isso não tivesse sido feito”.

Mas revelou que ninguém esperava uma crise “longa e que ainda haveria um grande número de pessoas nos locais de proteção ".

Na terça-feira, o porta-voz do secretário-geral, Ban Ki-moon,  destacou a investigação especial e a equipa formada na sede da ONU para avaliar as circunstâncias da violência na operação de paz.

Coordenação

De acordo com o relatório preliminar,  entre as várias questões que contribuíram para o incidente de Malakal esteve a falta de coordenação entre as várias forças de paz civis e uniformizadas no momento da crise.

Os investigadores disseram ter havido “expectativas irrealistas quanto ao nível de proteção que a Unmiss poderia realmente fornecer” aos 48 mil deslocados que estavam no local durante os incidentes.

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