Ações de lusófonos mudam a vida de refugiados sírios
BR

20 junho 2016

Em Portugal, professora reforma antiga casa dos avós para receber casal com quatro filhos que fugiram de Alepo; brasileiro passa temporada na Grécia ajudando os civis que fazem a perigosa travessia do Mediterrâneo.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Dia Mundial do Refugiado é celebrado esta segunda-feira, 20 de junho, com as Nações Unidas pedindo o apoio de todos a essa população de mais de 21 milhões de pessoas. São civis que fugiram de guerras e conflitos e buscaram abrigo em outros países.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, promove a campanha #ComOsRefugiados, uma solidariedade que está sendo demonstrada por brasileiros e portugueses.

Trajetória Difícil

A professora Andrea Duarte vive em Braga, em Portugal. Ela contou à Rádio ONU que após os avós morrerem, a casa de três quartos da família ficou disponível. Com dificuldades de encontrar um comprador, Andrea teve uma ideia: oferecer espaço a uma família de refugiados da Síria.

“Eles são uma família de seis pessoas.  Um casal com quatro filhos. Saíram da Síria há cerca de um ano, vieram de Alepo. Fizeram a travessia da Síria até a Turquia a pé. O senhor trabalhou na Turquia com alguma exploração, não era pago, então decidiram fazer a travessia da Turquia para a Grécia. Quase afundaram (de barco), perderam tudo o que tinham. Mas com sorte sobreviveram todos e acabaram por chegar sãos e salvos à Grécia, onde estiveram por cerca de dois meses. E há um mês, chegaram a Portugal.”

A família Hanan foi recepcionada no aeroporto de Lisboa por Andrea Duarte. As quatro crianças têm entre seis meses e seis anos de idade. O trajeto até Braga foi feito de carro e durou cinco horas.

Nova Vida

Ao chegarem na cidade, a família síria foi conhecer a casa cedida por Andrea e aos poucos, estão recomeçando a vida. As crianças estão frequentando escola bilíngue, em inglês e português, e os pais têm aulas para aprender o idioma.

“Eles têm se enquadrado muito bem. Perguntaram logo quando é que começavam a aprender português. Ele já tem emprego, vai trabalhar numa empresa de alumínios. Olhar para eles e perceber que estão de fato felizes, as crianças têm a alegria estampada no rosto. Estão a tentar fazer uma boa vida cá. Eu acho que mudamos a vida deles a sério e isso torna-nos muito realizados e muito, muito felizes.”

Andrea teve o apoio dos alunos e da escola onde leciona, que é a instituição que acolheu a família síria. Quem também está em Portugal é a jovem Alaa, que vive na capital Lisboa e está frequentando a faculdade, após ter recebido uma bolsa de estudos do programa Plataforma Global para Estudantes Sírios.

Crianças

Quem também demonstrou sua solidariedade com as famílias que fogem de guerras e de conflitos foi o brasileiro André Naddeo, que está em Paris e falou com a Rádio ONU.

Ele foi para o porto de Piraeus, na Grécia, passar 45 dias. Lá, André criou o projeto “Drawfugees”, incentivando as crianças refugiadas fazerem desenhos sobre seus sentimentos.

“Uma plataforma para que os refugiados possam ter expressão e ter voz. O Drawfugees trata das crianças. Todo mundo sabe que a melhor forma de uma criança se expressar muitas vezes é o desenho. Foi uma ideia de dar um lápis, uma canetinha e deixar que elas se expressassem. Eu não pedia nenhum tipo de desenho e fazia minhas atividades sempre com a permissão dos pais, para dar uma voz a essas crianças e entender um pouco o que está passando na cabeça delas.”

Petição

Demonstrar o apoio aos refugiados pode ser bem simples, uma tarefa que dá para ser feita até pela internet. A agência da ONU lançou uma petição online, pedindo aos governantes para agir com responsabilidade e solidariedade, garatindo o acesso de todos os refugiados à educação e abrigo.

Para assinar a petição, entre no site do Acnur.

 

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