“Comunidade global está sendo atacada pelo ódio”, afirma Zeid Al Hussein BR

Zeid Al Hussein fala na abertura da 32ª sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

“Comunidade global está sendo atacada pelo ódio”, afirma Zeid Al Hussein

Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos abriu sessão do Conselho em Genebra falando sobre “inferno” da situação na Síria; segundo ele, 50 países estão violando direitos humanos.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Em discurso para marcar os 10 anos do Conselho de Direitos Humanos, o alto comissário da ONU afirmou que a habilidade da comunidade internacional de resolver conflitos está sob ataque.

Na abertura da 32ª sessão do Conselho, em Genebra, o representante afirmou que mais de “50 países estão cometendo violações dos direitos humanos, calamidades que poderiam ser prevenidas”.

Ódio

Zeid Al Hussein até questionou se ainda “existe uma comunidade internacional”.

O alto comissário lamentou que o ódio esteja se espalhando pelo mundo e que “muros que atormentaram gerações do passado estejam retornando”.

No Conselho de Direitos Humanos, ele lamentou que alguns países tenham ameaçado sair da ONU ou tirar o apoio ao Tribunal Penal Internacional.

Lista

Zeid fez um apelo em prol da libertação de todos os prisioneiros políticos do mundo e ameaçou publicar a lista, em setembro, dos países que se recusam a cooperar com o Escritório de Direitos Humanos da ONU.

Zeid Al Hussein falou também sobre a piora do desastre na Síria.

Segundo ele, todos ficam “perturbados com o inferno em que a Síria se tornou” e que para ele, informar, mês a mês, grupos sobre o país já virou algo “grotesco”. Para Zeid, coletar e analizar informações tão apavorantes e depois reportá-las deveria causar uma ação, mas quando isso simplesmente se acumula e acaba por se dissipar nos “corredores do poder”, as pessoas se sentem impotentes.

ODS

O alto comissário revelou que esses dados se acumulam “nos corredores do poder”, e todos se sentem “desamparados no meio do horror”.

Sobre a questão do desenvolvimento sustentável, Zeid Al Hussein pediu aos países para promoverem as metas de forma mais eficaz, transparente e inclusiva.

África

O alto comissário está muito preocupado com o conflito no Iêmen, que começou há um ano e já matou 9,7 mil pessoas. Cerca de 80% da população do país precisa de algum tipo de assistência, mas a entrega de ajuda é muitas vezes impedida pelas partes em conflito.

Vários países na África também foram destaque do discurso de Zeid Al Hussein. A República Centro-Africana, por exemplo, foi elogiada pela “transferência pacífica de poder ao novo presidente eleito”, o que ocorreu em março.

Por outro lado, conflitos no Sudão e no Sudão do Sul continuam preocupando, assim como as violações de direitos humanos na República Democrática do Congo.

Leia e Ouça:

ONU alerta que civis enfrentam perigo redobrado ao fugir de Falluja

Ban: "condenação de Habré é dia histórico para população do Chade

Irã pune com chibatadas 35 estudantes que participaram de festa de formatura