Relatores da ONU querem proteção imediata para civis sitiados na Síria
BR

1 junho 2016

Vários vilarejos sofrem com a escalada das ofensivas do grupo islâmico Daesh, na região de Aleppo, norte do país; cerca de 165 mil deslocados internos estão perto da fronteira com a Síria sem poder sair.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Dois relatores da ONU emitiram uma nota expressando preocupação com a situação dos civis e o aumento das ofensivas do grupo islâmico Daesh, no norte da Síria.

Os especialistas em direitos de deslocados internos e execuções sumárias querem a proteção imediata de milhares de pessoas na região de Aleppo. Para os relatores, a escalada da violência levará a novos deslocamentos forçados de civis, que já tiveram que fugir de suas casas por causa dos combates.

Providências

Nos últimos dias, o movimento auto-proclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, ocupou vários vilarejos, avançando mais 2 km dentro da cidade de Azaz. Com isso, civis que haviam se refugiado em acampamentos perto da fronteira com a Turquia, passaram a correr riscos.

O relator para os direitos de deslocados internos, Chaloka Beyani, disse que apesar de algumas providências para liberar as vias e permitir a passagem segura dos civis, a situação está piorando.

Cerca de 9,5 mil pessoas ficaram no meio do fogo cruzado após o grupo jihadista ter entrado em áreas que eram mantidas por outros grupos armados no último dia 27.

Bombardeios

Beyani contou também que 165 mil deslocados internos estão perto da fronteira com a Turquia sem poder sair do local. Os acampamentos provisórios deles estão sendo alvos de bombardeios e ataques, que já mataram e feriram dezenas de civis desde o início deste ano.

Para o relator, se os civis não podem ter segurança dentro da Síria, os países vizinhos têm que abrir suas fronteiras para abrigar as vítimas, oferecendo a elas uma possibilidade de asilo.

Crime de guerra

Algumas agências humanitárias e organizações não-governamentais retiraram seu pessoal da região e restringiram a assistência humanitária e de saúde aos deslocados internos e outros civis.

Os hospitais do local também foram evacuados, e pelo menos três trabalhadores humanitários foram gravemente feridos em áreas perto dos combates.

O relator sobre execuções sumárias, Christof Heyns, afirmou que há notícias de que militantes do Daesh estariam executando famílias inteiras incluindo mulheres e crianças por alegadas ligações com o Exército de Libertação da Síria. Para ele, se isso for confirmado, poderá ser configurado um crime de guerra.

 

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