ONU fala em interferência de autoridades na entrega de ajuda na Síria
BR

28 maio 2016

Chefe Humanitário considera "repreensível" uso de cerco e fome como armas de guerra;  áreas sitiadas têm cerca de 592.700 pessoas; locais são controlados pelo governo, Isil e outros grupos armados.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários disse esta sexta-feira ao Conselho de Segurança que há uma " interferência deliberada e restrições que continuam a dificultar a prestação de ajuda" na Síria.

Falando via videoconferência, de Genebra, Stephen O'Brien indicou que as ações do governo sírio, na sessão onde considerou "chocantes" os números das vítimas do conflito depois de vários meses do acordo de fim das hostilidades.

Sitiados

O chefe humanitário revelou que pelo menos 592.700 pessoas vivem atualmente em áreas sitiadas.

O'Brien destacou que 452.700 pessoas estão isoladas pelo Governo da Síria em vários locais na zona rural de Damasco e em Al Wa'er, na cidade de Homs. É  uma área que ele disse ter visitado há  meses e que voltou a ser restringida em março.

Grupos Armados

Entretanto, o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil,  isolou 110 mil pessoas na cidade de Deir ez-Zor. Outras 20 mil pessoas foram sitiadas por grupos armados não estatais e pela Frente Al Nusrah em Idleb.

Na área de Yarmouk, na capital Damasco, pelo menos10 mil pessoas estariam sitiadas pelo Governo da Síria e por grupos armados não estatais.

Sofrimento e Miséria

O coordenador disse aos membros do Conselho que estava "sem palavras para explicar a forma como o conflito devastou a Síria e ao seu povo". Os relatos incluem civis inocentes submetidos a altos níveis de sofrimento e de miséria.

Entre os métodos utilizados pelas partes estão o cerco e a fome usados como arma de guerra, medidas que o representante considerou "repreensíveis". O'Brien destacou que a ONU e os seus parceiros continuam a fazer chegar ajuda aos necessitados apesar do ambiente desafiador.

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