Para a Unodc, crise favorece ação de redes do crime na Guiné-Bissau

27 maio 2016

Agência está a comprar barcos para apoiar patrulhamento das águas territoriais; agência defende que Ministério Público e forças de segurança estão melhor posicionadas para enfrentar a criminalidade.

Amatijane Candé, da Rádio ONU em Bissau.

Profissionais do sistema de justiça criminal da Guiné-Bissau concluem esta sexta-feira uma formação sobre meios especiais para obter provas para o combate ao tráfico de drogas.

Agentes das polícias judiciária e da ordem pública, magistrados e pessoal da célula de luta contra o branqueamento de capitais e crime organizado participaram na ação do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc.

Debilidades

Falando à Rádio ONU, em Bissau, o coordenador da agência na Guiné-Bissau, Mário Maia Moreira revelou a relevância da formação sobre meios, mecanismos, técnicas e táticas de combate ao tráfico de drogas.

“Num contexto de instabilidade política é sabido que as redes criminais tendem a aumentar sua atividade, aproveitando as debilidades do contexto político e social como é o caso do momento atual na Guiné-Bissau e nesta medida figurou-se pertinente levarmos a cabo esta ação”.

O programa, que envolveu especialistas guineenses e internacionais, coincidiu com a  crise política que o país atravessa. Para Mário Maia Moreira, o momento é propício para atuação de redes criminosas.

O responsável revelou estarem em curso ações para a compra de barcos para o patrulhamento das águas territoriais guineenses. As embarcações devem ser doadas às Forças de Defesa e Segurança no âmbito da luta contra o crime organizado.

Prevenção e Repressão

“Nós temos que manter os esforços no sentido de o prevenir e o reprimir se for o caso. A Guiné-Bissau tem suas debilidades, porosidade das fronteiras, a existência de um arquipélago com cerca de 88 ilhas que podem ser exploradas para atividades ilícitas”.

Mário Moreira disse que o fato de ter ministrado a formação não significa existir um aumento de tráfico de droga.

Para o representante, muitas abordagens da Unodc no país são na perspetiva preventiva, daí a necessidade de manter os esforços de prevenção e repressão do crime.

Forças de Segurança

Segundo o coordenador, a qualidade dos recursos humanos, quer dos tribunais, do Ministério Público como das forças de segurança melhorou bastante.

Para o Unodc, ambas as áreas estão agora "melhor posicionadas para enfrentar a criminalidade que vem preocupando o país ultimamente".

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud