Ataques do Boko Haram provocam fuga de milhares no Níger

24 maio 2016

Áreas  da fronteira do país com a Nigéria acolhem mais de 241 mil pessoas dos dois países; fugitivos suportam temperaturas que chegam a 48°C; Acnur quer ajudar mais necessitados com meios para sobreviver.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

A violência do grupo islamita Boko Haram causa a fuga de milhares de pessoas no sudeste do Níger, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.

Esta terça-feira, a agência declarou que aumenta a insegurança e pioram as condições humanitárias nas cidades de Diffa e Bosso. Em meados de maio, Diffa acolhia mais de 241 mil nigerianos e nigerinos que voltaram ao seu país ou foram obrigados a deixar as suas casas devido aos ataques.

Ataques Suicidas

Os últimos meses têm sido marcados por atos que incluem ataques suicidas perto de aldeias com refugiados e desalojados.

De acordo com o Acnur, cerca de 2,7 milhões de pessoas vivem como deslocadas na área da Bacia do Lago Chade devido às ações do Boko Haram.  Cerca de 2,1 milhões estão no território nigeriano.

Estado de Emergência

Na fronteira entre o Níger e a Nigéria, na área até ao rio Komadougou, vivem cerca de 157 mil pessoas em 135 acampamentos improvisados após terem fugido do Boko Haram. Na área vigora um estado de emergência há mais de um ano.

Muitos dos desalojados tiveram que fugir duas ou três vezes para viver no ambiente remoto e semidesértico. As temperaturas chegam a 48°C  e o receio é que chuvas intensas previstas para os próximos meses inundem os assentamentos.

Falta de Escolas

Os abrigos são de palha e o saneamento é básico, com poucas latrinas e chuveiros. Várias crianças da área não têm acesso à educação devido à falta de escolas nas aldeias e ao fecho de estabelecimentos de ensino nas áreas inseguras.

A entrega de alimentos é irregular e a população local não tem meios para partilhar com os desalojados.Agências de auxílio tentam ajudar os deslocados no ambiente considerado "altamente inseguro".

Vários locais são de difícil acesso e faltam fundos. De acordo com o Acnur, até ao momento foram recebidos somente 17% dos US$ 112 milhões necessários para as operações em Diffa este ano.

Fontes de Renda

Os carenciados incluem agricultores, pastores de gado, pescadores, comerciantes e donos de lojas que perderam as suas principais fontes de renda devido ao deslocamento e à insegurança na região.

O Acnur quer mais apoio com fundos para ajudar aos necessitados com meios de subsistência, para que estes se tornem autossuficientes e ajudem a desenvolver a economia da região.

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