ONU pede investigação sobre execuções sumárias no México
BR

20 maio 2016

Porta-voz do Escritório de Direitos Humanos citou assassinatos e violações ocorreram em junho de 2014; Ravina Shamdasani afirmou que sete militares foram detidos mas acabaram liberados por falta de provas.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Escritório das Nações Unidas de Direitos Humanos pediu esta sexta-feira ao governo do México que determine uma investigação imediata sobre uma série de alegadas execuções sumárias e violações dos direitos humanos que ocorreram há dois anos.

Em Genebra, a porta-voz do Alto Comissariado para Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, demonstrou preocupação e disse que o caso continua “demonstrando impunidade” e as vítimas continuam com “seus direitos negados à justiça e à verdade”.

Operação Militar

Segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México, o incidente ocorreu em 30 de junho de 2014 durante uma operação militar em um galpão na cidade de Tlatlaya, no Estado do México.

Os dados mostram que pelo menos 22 pessoas foram mortas sendo que 12 talvez tenham sido executadas. O Escritório da ONU afirmou que sete militares foram presos em conexão com o caso, mas em outubro de 2015, um juiz mexicano derrubou as acusações contra quatro deles.

Na semana passada, um tribunal do país liberou os outros três militares alegando falta de provas contra eles.

A porta-voz afirmou que “as investigações devem ser estendidas para analisar todos os que possam ser responsáveis, incluindo militares de alta-patente que podem ter responsabilidade de comando”.

Instituição Forense

Shamdasani disse ainda que na lista devem constar também aqueles que possam ter adulterado ou mandado adulterar as cenas do crime e os responsáveis por violações dos direitos humanos.

Ela lembrou que durante sua visita ao México no ano passado, “o alto-comissário Zeid Al Hussein, afirmou que o caso de Tlatlaya será monitorado de perto como um teste para as autoridades”.

A porta-voz pediu às autoridades mexicanas que implementem urgentemente as recomendações feitas pelo alto comissário para a criação de uma instituição forense autônoma nacional.

Shamdasani disse que isso “irá reforçar as investigações” e que o escritório de Direitos Humanos da ONU está pronto para aconselhar as autoridades mexicanas como também prestar apoio às famílias das vítimas.

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