Brasileira apresenta na ONU dados sobre suicídio de jovens indígenas
BR

19 maio 2016

Fabiane Vick trouxe para a organização informações sobre casos da comunidade Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul; representante de departamento do governo relata que crianças também estão se matando.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O suicídio foi um dos temas abordados esta semana no Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas. A representante da Secretaria Especial de Saúde Indígena, órgão ligado ao Ministério da Saúde do Brasil, veio a Nova York mostrar alguns dados.

A apresentação de Fabiane Vick focou especificamente nos casos de suicídio na comunidade Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. Em entrevista à Rádio ONU, a especialista relatou um dado chocante, sobre crianças de até 10 anos que se mataram.

Alto Índice

“Especificamente com os Guarani-Kaiowá, que é a população indígena que mais comete suicídio em todo o território brasileiro, nós tivemos em 2015, 45 casos de suicídio em Mato Grosso do Sul. 73% são do sexo masculino e 27% do sexo feminino. Os maiores índices ocorrem entre jovens de 10 a 19 anos. Essa faixa etária corresponde a 61% de todos os casos de suicídio indígena.”

Fabiane Vick destaca que os números são os maiores de suicídio indígena em todo o Brasil. Ao ser questionada o que estaria levando os jovens a cometerem suicídio, a especialista da Secretaria de Saúde Indígena explica que as causas são econômicas, sociais e culturais.

Família

“A questão do choque cultural é um fator que contribui bastante, a falta de perspectiva de vida nesses jovens. Essas aldeias, especificamente no Mato Grosso do Sul, estão muito próximas dos centros urbanos. Além da questão da pobreza, que infelizmente tem impacto direto porque as famílias entram em crises. Existe também ausência dos pais dentro da dinâmica familiar, em função de terem que ir em busca de um emprego e essas crianças muitas vezes ficam abandonadas.”

Segundo a representante, seu trabalho está voltado para a prevenção e intervenção das tentativas de suicídio, com a atuação de psicólogos, de professores das escolas indígenas e apoio de rezadores tradicionais e líderes das aldeias.

O Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas termina nesta sexta-feira. Participaram cerca de 1 mil representantes das comunidades nativas e de governos. O tema da reunião este ano foi prevenção de conflitos e paz, assuntos ligados à questão da demarcação de terras.

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