Com migração em alta, mutilação genital feminina vira questão global de saúde

16 maio 2016

Problema é crónico em 30 nações africanas e OMS lança novas recomendações para todos os países do mundo; meta é garantir que trabalhadores de saúde saibam reconhecer e tratar condição de forma adequada.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou esta segunda-feira novas recomendações para que trabalhadores de saúde de todo o mundo saibam fornecer melhores cuidados às vítimas da mutilação genital feminina.

O procedimento envolve a retirada total ou parcial da genitália e pode causar sérios danos, como sangramentos, problemas para urinar, cistos, infeções e até morte. A OMS calcula que 200 milhões no mundo vivem com a condição que é uma violação dos direitos das meninas e das mulheres.

Migração

A maioria dos casos ocorre em África: a prática é comum em 30 países do continente e é também frequente em nações da Ásia e do Médio Oriente. Mas a OMS revela que a migração internacional transformou a questão num problema de saúde global.

Por isso os trabalhadores do sector em todo o mundo devem estar preparados para fornecer os melhores cuidados às meninas e mulheres vítimas da mutilação genital. Segundo a OMS, muitos desconhecem as consequências negativas da prática ou não tiveram a formação adequada para cuidar dessas pacientes, que sofrem as consequências físicas e psicológicas.

Depressão

As novas recomendações da OMS visam mudar esse quadro e focam na prevenção e no tratamento das complicações obstétricas; no tratamento da depressão e da ansiedade e no aconselhamento sobre saúde reprodutiva.

A OMS destaca que o objetivo é também reconhecer que ação precisa ser tomada em vários sectores, para acabar com a prática e ajudar aquelas que estão a viver com as consequências.

Outro ponto importante do guião é o alerta sobre a “medicalização” da prática, quando pais pedem a profissionais de saúde para realizarem a mutilação genital em suas filhas porque pensam que assim, as consequências serão menos graves.

Prevenção

Uma medida fundamental para prevenir o comportamento é criar protocolos, manuais e referências para os trabalhadores do sector de saúde, que assim ficam sabendo como agir ao receber esse tipo de pedido dos pais de uma criança.

A OMS recomenda também medidas para tratar complicações obstétricas, facilitar nascimentos de bebés e prevenir infeções urinárias. O guião indica ainda a terapia cognitiva e apoio psicológico para tratar as vítimas que sofrem de ansiedade e de depressão.

Todas as meninas e mulheres que sofreram a mutilação genital devem receber também sessões de aconselhamento sobre saúde sexual e reprodutiva.

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