Ramos Horta: composição atual do Conselho de Segurança é “insustentável”

11 maio 2016

Prémio Nobel defende que reforma no funcionamento do órgão pode representar melhor a nova realidade mundial;  ex-líder timorense acredita que financiamento do órgão a missões de paz em África deve ser obrigatório.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O antigo presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, participa no debate da Assembleia Geral sobre Paz e Segurança intitulado "Num mundo em risco, um novo compromisso para a paz".

Esta quarta-feira, o Prémio Nobel da Paz discursa num painel sobre a experiência em liderar um grupo que avaliou o estado das missões de paz da organização.

Regras

Ramos Horta disse que para agilizar a reforma do Conselho de Segurança é preciso focar na forma como este opera e não em termos da estrutura.

"Falamos de reforma funcional, como é que o Conselho de Segurança deve se reger melhor através de regras mais democráticas. Veremos se isso qualquer dia chega porque é insustentável que os cinco continuem a ser os mesmos . Temos a Índia, com mais de 1 bilião de habitantes, e  o continente africano com mais de 1 bilião e não têm um único membro permanente. Quando a Europa envelhecida, França e Inglaterra envelhecidas e em sentido figurativo em cadeira de rodas, continuam a representar o mundo. Não temos lá uma Índia, o Brasil e a Indonésia com 250 milhões de habitantes."

Parceria

Uma série de recomendações foi produzida  pelo grupo liderado pelo ex-presidente timorense, incluindo sobre a parceria do Conselho de Segurança  com a União Africana.

Perante o que Ramos Horta chamou de resistência de países do órgão, ele destacou que forças africanas têm morrido em países em guerra como a Somália.

Para Ramos Horta falta "entusiasmo" no seio de alguns membros do Conselho de Segurança para financiar  operações de paz onde forças de África seguem para os países em crise no continente.

Coordenação e Sintonia

"No início, não houve financiamento de ninguém. Felizmente, posteriormente veio a União Europeia custear e depois veio o Conselho e Segurança. Propomos que, havendo coordenação e sintonia, caso por caso, de missões em que a União Africana avança em primeiro lugar terá que haver financiamento que vem no Conselho de Segurança, contribuições obrigatórias. Aí está o problema, é que os cinco membros permanentes ainda não veem esta questão com muito entusiasmo."

Em África, as Nações Unidas têm cerca de 80% das suas forças de paz.

A União Africana também enviou as suas forças para países como Somália, República Centro-Africana, Mali e Sudão, na área de Darfur.

Acompanhe o Vídeo: 

Ramos Horta fala à Rádio ONU sobre reforma no Conselho de Segurança

 

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