Acnur preocupado com fim de acolhimento de refugiados no Quénia

9 maio 2016

Agência quer que autoridades recuem na decisão; medida tomada na sexta-feira pode afetar até 600 mil pessoas; país menciona encargos relacionados com economia, segurança e ambiente.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, expressou esta segunda-feira a sua "profunda preocupação" com o anúncio feito pelo Quénia de que iria parar de acolher refugiados.

O país justificou que a intenção tem a ver com encargos económicos, de segurança e ambientais.

Acampamentos

Na sexta-feira, o Ministério do Interior queniano anunciou o fim do seu Departamento de Assuntos de Refugiados e ação num mecanismo para fechar os acampamentos. Para o Acnur, a medida poderia afetar até 600 mil pessoas.

A nota chama a atenção para as consequências "potencialmente devastadoras do fim prematuro" do acolhimento de refugiados para as centenas de milhares de beneficiários.

O apelo ao Governo do Quénia é que reconsidere a sua decisão e evite tomar qualquer medida que contrarie as suas obrigações internacionais em relação às pessoas que precisam de proteção contra os perigos e a perseguição.

Dependência

A agência da ONU destaca o "papel essencial" do país em mais de 25 anos a dar asilo a pessoas que foram forçadas a fugir de perseguição e da guerra das regiões Oriental e do Corno de África.

O Acnur cita milhares de somalis e de sul-sudaneses que dependem da segurança e da generosidade da nação, considerada "líder de proteção internacional na região".

Somália e Sudão do Sul

A agência considera trágico que situações que levam as pessoas a fugir da Somália e do Sudão do Sul ainda estejam por resolver.

Entretanto, o Acnur promete continuar os contactos com as autoridades quenianas para entender as implicações da medida. A agência reconhece que o facto de o Quénia ter sido um principais recetores de refugiados teve consequências para o país e para a sua população.

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