África Subsaariana vai passar pelo segundo ano difícil, aponta FMI

5 maio 2016

Crescimento económico é o mais fraco dos últimos 15 anos; preço das matérias-primas estão fracos, além dos efeitos da seca; órgão destaca necessidade urgente de se redefinir políticas para segurar o crescimento.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

Após um período de forte crescimento económico, a África Subsaariana deve enfrentar o segundo ano consecutivo de dificuldades, segundo o Fundo Monetário Internacional, FMI.

A região é atingida por “choques múltiplos” na avaliação do órgão, que esta semana divulgou um informe sobre o tema. Os preços das matérias-primas estão em profundo declínio na região e o aperto financeiro já colocou várias economias sob forte tensão.

Petróleo

O relatório mostra que em 2015, o crescimento caiu para 3,5%, o nível mais baixo dos últimos 15 anos. Para 2016, a expectativa de crescimento é de apenas 3%, muito abaixo da média de 6% conquistada na última década e pouco acima do crescimento populacional.

A crise no preço das matérias-primas atingiu fortemente muitos países da África Subsaariana. Apesar da recuperação do preço do petróleo, os valores continuam 60% abaixo dos níveis de 2013, algo que o FMI considera “sem precedentes”.

Angola

Exportadores de petróleo como Angola e Nigéria continuam a enfrentar situações económicas difíceis. A queda nos preços das matérias-primas também afeta o Gana, a África do Sul e a Zâmbia.

Já a seca severa em países como Etiópia, Malaui e Zimbábue coloca milhões de pessoas em risco de sofrer com a insegurança alimentar.

Por outro lado, o FMI avalia que as nações importadoras de petróleo estão em melhor situação económica, com crescimento de 5% ou mais, registados na Côte d’Ivoire, Quénia, Senegal e outros países de baixa renda, que beneficiam do forte consumo privado e investimentos na infraestrutura.

Novas Políticas

A perspectiva do FMI para crescimento de médio prazo na África Subsaariana é favorável, devido a melhorias nos negócios e demografia favorável.

Para que esse potencial seja alcançado, o órgão sugere redefinição das políticas. Nos países exportadores de matérias-primas, é necessária uma resposta imediata para prevenir “desordens de ajuste”.

Os países da África Subsaariana também necessitam conter o déficit fiscal e construir uma base de impostos. As medidas podem evitar crescimento no curto prazo, mas o FMI acredita que novas políticas fiscais são necessárias para que a região alcance todo o seu potencial económico.

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