Relatora fala de "risco de extinção de albinos" no Malaui

29 abril 2016

País africano teve dois ataques durante a visita da relatora independente da ONU; especialista fala de emergência e crise perturbadora no país; polícia malauiana registou 65 casos em pouco mais de um ano.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Uma especialista das Nações Unidas advertiu que as atrocidades contra pessoas com albinismo no Malaui colocam indivíduos do grupo diante do "risco de extinção sistémica ao longo do tempo, se nada for feito".

A relatora sobre os Direitos das Pessoas com Albinismo, Ikponwosa Ero, disse que a polícia malauiana registou 65 ataques desde o fim de 2014. Na sua visita de 10 dias, terminada esta sexta-feira, ocorreram dois incidentes considerados "críticos".

Ataques

A perita disse que tanto as pessoas com albinismo como os pais de crianças que vivem com a condição estão constantemente com medo de ataques.

Após visitar cinco áreas malauianas, a relatora revelou que muitos albinos "não dormem em paz e limitam os seus movimentos ao mínimo necessário".

Para a especialista, é "altamente perturbador" o envolvimento frequente de parentes próximos nos casos de ataques. Como mencionou, os albinos são incapazes de confiar mesmo nos que supostamente devem cuidá-los e protegê-las".

Medo e Pobreza

Como consequência dos atos, Ero defende que as pessoas com albinismo estão confinadas numa "espiral de medo e pobreza".

A perita independente descreveu a situação como "uma emergência e uma crise perturbadora nas suas proporções".

Partes do Corpo

O foco da deslocação foram os ataques e a venda de partes do corpo das vítimas, além do acesso do grupo à saúde, à educação, a discussão das práticas tradicionais nocivas e outros.

Ero encontrou-se com representantes do Estado malauiano, autoridades locais, defensores de direitos humanos e grupos da sociedade civil e da comunidade internacional.

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