ONU critica Irã pelo tratamento de prisioneiros políticos
BR

27 abril 2016

Grupo de relatores especiais de Direitos Humanos alertou que vários detidos correm risco de morte por falta de tratamento médico; entre eles estão advogados, ativistas e defensores dos direitos humanos.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

Um grupo de relatores especiais da ONU de Direitos Humanos alertou que vários prisioneiros políticos iranianos correm risco de morte por falta de tratamento médico.

Segundo os especialistas, “as condições dos detidos com sérios problemas de saúde estão piorando por causa do prolongamento contínuo do encarceramento”.

Acesso

Outro fator determinante para o problema é a “recusa das autoridades iranianas em permitir o acesso dos prisioneiros a hospitais e aos tratamentos que necessitam urgentemente”.

Os relatores disseram que “a negação de cuidados médicos ou abusos físicos em presídios superlotados ou em prisão solitária ou ainda outras formas de tortura deixam os prisioneiros em risco de sofrerem ferimentos sérios ou morte”.

Eles afirmaram que “infelizmente, as prisões iranianas estão acostumadas a tais tragédias, muitas das quais poderiam ser evitadas se as autoridades tivessem o cuidado apropriado”.

Câncer

Os especialistas citam os casos dos prisioneiros políticos Mohammad Rafiee Fanood e Kamal Foroughi, o defensor dos direitos humanos Nargis Mohammadi e o advogado Abdulfattah Soltani.

Ainda na lista estão o blogueiro Hossein Maleki, o religioso Sayed Hossein Boroujerdi e o físico Omid Kokabee.

O físico Kokabee foi preso em janeiro de 2011 ao regressar dos Estados Unidos. Ele cumpre pena de 10 anos de prisão por alegada “conexões com um governo hostil”.

Os relatores de direitos humanos disseram que o físico foi diagnosticado com câncer e se submeteu recentemente a uma cirugia para a retirada de um dos rins. Os especialistas explicaram que isso poderia ter sido evitado se o prisioneiro tivesse tido acesso a cuidados médicos.

O grupo relembrou às autoridades iranianas sobre suas obrigações perante os acordos internacionais de respeito aos direitos dos prisioneiros à saúde e de garantias a um tratamento humano.

Os especialistas afirmaram que “o não fornecimento de cuidados médicos aos detidos representa uma violação das obrigações internacionais de direitos humanos que devem ser seguidas pelo Irã”.

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