Sudão do Sul: ONU pede reconciliação para "curar feridas do conflito"

26 abril 2016

Conselho de Segurança realizou sessão que debateu a situação do país; reunião coincidiu com retorno do líder rebelde a Juba; Riek Machar tomou posse como primeiro vice-presidente do governo de unidade nacional.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As Nações Unidas reiteraram esta terça-feira que sem justiça e reconciliação não será possível a "cura das feridas novas e antigas do conflito sul-sudanês", particularmente se não for abordada a impunidade.

No Conselho de Segurança, o subsecretário-geral para as Operações de Paz, Hervé Ladsous, disse que todas as partes devem estar unidas em torno dessa questão e concordar na reconciliação e na justiça transicional, que inclui criar tribunais híbridos.

Riek Machar

O debate no órgão de 15 Estados-membros decorre no dia em que o líder rebelde chegou à capital sul-sudanesa, Juba.

De acordo com agências de notícias, Riek Machar foi investido como primeiro vice-presidente do governo de unidade liderado pelo presidente Salva Kiir.

A medida faz parte do acordo para o fim do conflito que, em dois anos, provocou a morte de dezenas de milhares de pessoas e resultou em cerca de 2 milhões de deslocados.

Esforço

Ladsous considerou o processo do Sudão do Sul "extremamente frágil" e que vai precisar de um "esforço concertado e sustentado" a nível nacional e regional.

Ele destacou a ação da ONU com a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, Igad, e a União Africana para encorajar às partes à mudança da situação no terreno. Para ele, não haverá sucesso sem influência política.

O representante disse que a "situação precária" é vivida em várias partes do mais novo país do mundo.

Mortes

Como referiu, o governo e a oposição mataram e desalojaram civis nas últimas semanas em estados como Alto Nilo e Equatoria. Em meados de fevereiro, 25 pessoas morreram e 140 ficaram feridas num local de proteção de civis em Malakal.

No terreno ainda há restrições impostas pelo governo à mobilidade da Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss. Ladsous disse que as medidas violam o acordo sobre a presença da operação de paz no país.

As limitações impedem ainda a assistência humanitária necessária, daí um apelo por uma mensagem forte do Conselho sobre a necessidade de desimpedir o movimento de agências para que seja permitido o auxílio.

 

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