Acidente nuclear de Chernobyl completa 30 anos
BR

26 abril 2016

Assembleia Geral da ONU realizou evento especial para marcar a data; OMS afirmou que efeitos da tragédia continuam sendo registrados até hoje; exposição à radiação causou vários tipos de câncer, principalmente na tireoide.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Assembleia Geral da ONU marcou esta terça-feira os 30 anos do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, ocorrido em 26 de abril de 1986.

A explosão da usina atômica foi a pior tragédia da indústria nuclear da história. Em mensagem lida pelo seu chefe de gabinete, Edmond Mulet, o secretário-geral, Ban Ki-moon, afirmou que o desastre teve graves consequências humanitárias, ambientais e econômicas.

Ban disse que “o acidente gerou uma nuvem radioativa sobre o nordeste da Europa e os efeitos ainda são sentidos na região e em todo o mundo”.

Comunidade Internacional

O chefe da ONU lembrou sua visita ao local há cinco anos e citou as residências vazias e o sentimento de que “vidas foram interrompidas por uma tragédia repentina”.

Segundo ele, a tragédia de Chernobyl vai estar sempre ligada à segurança nuclear. Para Ban, o aniversário de 30 anos representa uma oportunidade para que a comunidade internacional aprenda as lições deixadas pelo acidente e reflita sobre o processo de recuperação.

O presidente da Assembleia Geral, Mogens Lykketoft, afirmou que o acidente causou a liberação de uma grande quantidade de material nuclear radioativo na atmosfera, atingindo Ucrânia, Belarus e Rússia.

Segundo ele, a tragédia devastou a economia local e forçou a retirada de mais de 300 mil pessoas da região.

O presidente da Assembleia Geral elogiou “os governos dos três países mais atingidos pelo trabalho feito para proteger a população dos efeitos da radiação, para mitigar as consequências e construir um futuro melhor para todos”.

Câncer

Um relatório da Organização Mundial da Saúde mostrou que os efeitos da tragédia podem ser sentidos até hoje. A radiação nuclear causou vários tipos de câncer, em particular, na tireoide.

Segundo os especialistas, a incidência do câncer na tireoide vai continuar aumentando nos próximos anos. A OMS citou também casos de leucemia, principalmente em Chernobyl.

O relatório da agência da ONU relata outros problemas não relacionados com câncer, como um grande número de casos de cataratas entre as equipes que trabalharam no processo de limpeza da área depois do acidente nuclear.

Outro ponto destacado pelo documento são os problemas relacionados ao impacto psicossocial e de saúde mental. Estudos mostraram índices de ansiedade entre a população de Chernobyl que chegam ao dobro da população comum.

Situação similar foi constatada depois do acidente nuclear na usina de Fukushima, no Japão, em 2011.

Aiea

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Yukiya Amano, afirmou que a Aiea forneceu ajuda aos países afetados pelo desastre e continua provendo assistência até agora.

Ele disse que na Ucrânia, por exemplo, a agência trabalha no desmantelamento dos reatores e para retirar o lixo radioativo da região.

Na Belarus, Amano afirmou que a Aiea ajudou na gestão de áreas florestais atingidas pelo acidente nuclear.

 

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