Mutilação genital feminina a crescer na Guiné Conacri

25 abril 2016

Informação está em relatório do Escritório de Direitos Humanos da ONU; segundo o documento, 97% das mulheres e meninas com idades entre 15 e 49 anos no país passaram por mutilação genital feminina ou excisão.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Um novo relatório da ONU divulgado esta segunda-feira afirma que 97% das mulheres e meninas com idades entre 15 e 49 anos na Guiné Conacri passaram por mutilação genital feminina ou excisão, apesar da prática ser proibida por leis nacionais e internacionais.

Segundo o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, “embora a mutilação genital feminina pareça estar diminuindo em todo o mundo, este não é o caso na Guiné, onde a prática é generalizada em todas as regiões e entre todos os grupos étnicos, religiosos e sociais”.

Crianças

O relatório mostra que, nos últimos anos, a mutilação genital feminina ou excisão foi realizada em meninas até mais jovens do que era o caso anteriormente.

De acordo com um estudo recente, 69% das mulheres com idades entre 20 e 24 anos passaram pela prática antes dos 10 anos.

Rito de Iniciação

Na Guiné Conacri, a mutilação ou excisão genital feminina é vista principalmente como um rito de iniciação.

Enquanto na maior parte dos países onde a prática ainda ocorre mulheres e meninas parecem ser em grande parte a favor de sua abolição, na Guiné Conacri, o número de mulheres a apoiar a prática cresceu.

Pressão Social

Um estudo do Instituto Nacional de Estatística mostrou que a proporção de mulheres a favor da ação subiu de 65% em 1999 para 76% em 2012.

De acordo com o relatório, de forma geral, a não excisão de raparigas é considerada “indigna” na sociedade guineense. Este aponta que a “pressão social é tanta que meninas podem requisitar a prática por medo de serem excluídas ou forçadas a permanecerem solteiras se não passarem por ela”.

Persistência

O documento reconhece que o governo guineense adotou muitos textos legislativos e regulamentos para evitar a prática, no entanto, até o momento, estas ações não resultaram em nenhuma queda, devido ao apoio de alguns líderes políticos e religiosos.

Segundo o relatório, a persistência da mutilação ou excisão genital feminina é devida, em grande parte, à falta de ação das autoridades judiciais.

Ato de Violência

Para Zeid Al Hussein, a mutilação genital feminina “não é apenas extremamente prejudicial à saúde e bem-estar de mulheres e meninas, mas também é um ato atroz de violência”, e “sem justificativa possível”.

O alto comissário citou que a Guiné Conacri tem a segunda taxa mais alta da prática no mundo, atrás da Somália, e índices bem mais altos que os vizinhos Senegal (25%), Côte d’Ivoire, ou Costa do Marfim (38%), e Libéria (50%).

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, OMS, entre 130 milhões e 140 milhões de meninas e mulheres a viver hoje passaram por alguma forma de mutilação ou excisão genital feminina.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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