Lusófonos "têm a ganhar" com parcerias para travar consumo de drogas

25 abril 2016

Coordenador português defende mais avaliação e colaboração em vários setores nas nações de língua portuguesa; representante destacou resultados de experiências com Cabo Verde e Brasil.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um especialista de Portugal declarou que "todos têm a ganhar" com uma maior colaboração para lidar com consumidores de drogas na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp.

O coordenador Nacional para os Problemas da Drogas, das Toxicodependências e do Uso Nocivo do Álcool esteve à frente da medida portuguesa que dirige os toxicodependentes ao tratamento e às multas, ao invés da justiça.

Novo Foco

João Goulão participou na Sessão Especial da Assembleia Geral sobre o Problema Mundial das Drogas realizada esta semana.

Ele disse à Rádio ONU, em Nova Iorque, que a experiência portuguesa é vista com interesse após a mudança do foco da justiça para a saúde. O coordenador sugere mais avaliação e busca de formas de colaboração na Cplp.

Partilha

"A nível de entidades policiais há redes bastante importantes de partilha de informação e de trabalho concreto. Na redução da procura fizemos algumas investidas no sentido de mobilizar os vários parceiros da Cplp para a partilha de experiências e para disponibilizarmos a aprender uns com os outros."

Esta semana, Portugal foi elogiado na ONU pela descriminalização de todas as drogas em 2001. Goulão defende que deveria haver mais espaço para parcerias sobre o tema no bloco lusófono.

Cabo Verde e Brasil

"O país com o qual conseguimos estabelecer mais rapidamente uma colaboração prática foi com Cabo Verde, o que se traduziu pela presença de técnicos nossos em ações de formação desenvolvidas naquele país. Temos uma rede de pesquisa desenvolvida em colaboração com o Brasil com a secretaria antidroga. Estamos cientes de que às vezes há impulsos umas tentativas de desencadear e juras de celebração de protocolos mas depois na prática as coisas são muito lentas a acontecer. De qualquer forma tenho alguma expectativa de que seja possível dar sequência a esse encontro que tivemos em Lisboa"

Portugal tem 10 redes de tratamento de toxicodependentes com base em parcerias públicas e privadas, contou o especialista.

Crise Económica

Goulão frisou que com a crise económica houve cortes no orçamento que "não foram dramáticos" em áreas como tratamento, prevenção e reinserção social.

O impacto das limitações na economia portuguesa sobre o setor foi refletido em "mais recaídas e pessoas que quiseram sobreviver com tráfico, além da pressão sobre os consumidores".

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