Angola anuncia grande impulso contra comércio de marfim

18 abril 2016

País africano prometeu cumprir seus compromissos sob a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção; data mundial destaca combate ao comécio ilegal da vida selvagem.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Angola anunciou esta segunda-feira uma grande ação contra o comércio de marfim, prometendo fechar um dos maiores mercados da mercadoria no mundo e implementar controlo mais intenso nas fronteiras.

O país africano também prometeu cumprir seus compromissos sob a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção. Isto incluiria aumentar suas ações para implementar o Plano de Ação Nacional sobre o Marfim.

Dia Mundial

A forte medida é tomada por Angola enquanto o país planeja ser anfitrião global do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho.

Este ano, a data organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, terá como tema o combate ao comércio ilegal de vida selvagem. Esta busca mobilizar ação global em torno da questão.

Elefantes

O país também se uniu a outras 12 nações como signatário da Iniciativa de Proteção de Elefantes, que se concentra em proteger estes animais em África através de medidas como o fechamento de mercados domésticos.

Segundo o Pnuma, Angola busca acabar com todo o comércio doméstico de marfim, realizar um “robusto inventário” do seu estoque e comprometer-se com sua destruição antes do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Desenvolvimento Sustentável

O chefe da agência da ONU, Achim Steiner, alertou que o “comércio ilegal da vida selvagem destroi ecossistemas e meios de subsistência, compromete o Estado de direito e a segurança nacionais e prejudica o desenvolvimento sustentável”.

O representante destacou que, nos últimos anos, foram vistos fortes passos para combater esse flagelo, incluindo a primeira resolução da ONU sobre a prática.

Mensagem Poderosa

Steiner ressaltou ainda que os compromissos angolanos são “outro marco” e “enviam uma mensagem poderosa aos caçadores e às redes criminosas internacionais que os apoiam, de que eles não têm futuro”.

O diretor do Instituto Nacional para Biodiversidade e Áreas de Conservação, Abias Huongo, afirmou que os comerciantes já foram informados da intenção do país de suspender as vendas de marfim no mercado de Benfica, em Luanda.

No entanto, o representante considerou importante tomar cuidado para garantir que a medida não conduza o comércio à ilegalidade, a “torná-lo mais difícil de erradicar”.

Caça

Segundo o Pnuma, o número de elefantes mortos em África passou dos 20 mil por ano, de uma população estimada entre 420 mil a 650 mil.

No entanto, com relatos de que 100 mil animais foram mortos num período de apenas três anos, entre 2010 e 2012,  o número pode, de fato, ser menor.

A agência menciona que pouco se sabe sobre o tamanho do restante da população de elefantes em Angola, que, historicamente, vivia no sudeste do país.

Entretanto, resultados de pesquisas recentes, a serem divulgados nos próximos meses, devem confirmar forte declínio durante a guerra civil no país africano.

Rinocerontes

O Pnuma também alerta para uma “tendência perturbadora de alta” na caça furtiva de elefantes observada, pela primeira vez, no Parque Nacional Kruger, na África do Sul.

A prática voltada a rinocerontes tem visto um aumento constante nos últimos 10 anos, segundo a agência da ONU.

Apenas na África do Sul, a caça furtiva a estes animais subiu cerca de 9000% entre 2007 e 2015.

No ano passado, 1.175 rinocerontes foram caçados no país, cerca de um a cada oito horas.

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