“A solução de dois Estados está em perigo”, alerta novo relatório da ONU
BR

14 abril 2016

Documento do Escritório do coordenador especial para o Processo de Paz no Oriente Médio cita “tendências negativas, incluindo violência, atividade de assentamentos, demolições, incitamento e a falta de uma união palestina”.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

A viablidade de uma solução de dois Estados, um israelense e um palestino  coexistindo de forma pacífica, “está em perigo”, de acordo com o último relatório divulgado pelo Escritório do coordenador especial das Nações Unidas para o Processo de Paz no Oriente Médio.

O documento cita “tendências negativas no terreno, incluindo violência recente, atividade de assentamentos em curso, demolições, incitamento e falta de uma união palestina”.

Casas

O texto destaca o aumentos de atividades de assentamento por Israel e uma maior consolidação do controle israelense sobre a Cisjordânia.

O documento também ressalta que a demolição de casas palestinas e estruturas de subsistência mais do que dobrou no período estudado, em comparação os seis meses anteriores. O total de demolições até meados de abril já teria excedido o total do ano passado.

O  relatório também expressa preocupação com o acesso palestino à terra e a recursos naturais na “Área C” da Cisjordânia, entre outros fatores.

Falta de União

Em relação ao lado palestino, o documento cita que apesar de discussões de reconciliação ocorridas em fevereiro e março entre o Fatah, o Hamas e outras façcões palestinas no Catar, não houve consenso sobre uma união palestina.

Segundo o relatório, a “formação de um governo de união nacional e a realização de eleições são fundamentais para lançar as bases de um futuro Estado palestino”.

Crise Humanitária

Citando a prolongada crise humanitária no território palestino ocupado, o documento afirma que cerca de 1,1 milhão de pessoas na Cisjordânia e de 1,3 milhão em Gaza, mais de 900 mil dele refugiados, precisam de “alguma forma de assistência humanitária em 2016”.

O texto destaca ainda que a situação de direitos humanos piorou com o “aumento dramático” nos confrontos entre palestinos e forças de segurança israelenses na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, o aumento de casos de medidas punitivas contra famílias de supostos autores de ataques e detenções administrativas.

Reconstrução de Gaza

Sobre a Faixa de Gaza, o relatório menciona constante progresso na reconstrução do local: mais de 90% das instalações de saúde e educação danificadas ou destruídas durante o conflito de 2014 fora reparadas.

No entanto, “barreira estruturais” continuariam “impedindo a recuperação”. O documento cita falta de água e eletricidade em Gaza como particularmente urgente e crônica.

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