Boko Haram: meninas realizaram um terço de ataques com crianças-bomba

12 abril 2016

Estudo indica que menores participaram num quinto de todas as explosões em dois anos; relatório marca aniversário do ataque de 14 de abril de 2014, quando foram raptados centenas de menores; relatores exigem informação para famílias.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, publicou esta terça-feira um estudo que analisa os dois anos após o ataque das milícias Boko Haram, quando foram raptadas mais de 200 meninas em Chibok, na Nigéria.

O relatório “Além de Chibok”, em tradução livre, revela que mais de 75% dos ataques levados a cabo por crianças-bomba envolveram menores do sexo feminino.

Vítimas

O número de menores que realizaram ataques suicidas na Nigéria, nos Camarões, no Chade e no Níger aumentou consideravelmente de quatro em 2014 para 44 no ano passado.

Um em cada cinco bombistas era criança, de acordo com o estudo que coincide com o segundo aniversário do ataque ocorrido a 14 de abril de 2014.

O diretor regional do Unicef para a África Ocidental e Central disse que é preciso "que fique claro: essas crianças são vítimas e não criminosas".

Para Manuel Fontaine, "enganar crianças e força-las a realizar atos mortíferos tem sido um dos aspetos mais terríveis da violência na Nigéria e nos países vizinhos."

Ameaças

Com os ataques suicidas envolvendo crianças a tornar-se comuns, "comunidades começam a vê-las como ameaças à sua segurança", disse Fontaine. Para ele, o tipo de suspeita pode ter consequências destrutivas.

“Além de Chibok” destaca que 1,3 milhão de crianças foram deslocadas e 1,8 mil escolas foram fechadas devido ao conflito. Os estabelecimentos estão danificados, saqueados, queimados ou usados como abrigos por desalojados.

O documento menciona relatos de cerca de 5 mil crianças desacompanhadas ou separadas dos seus pais.

Insegurança Alimentar

De acordo com a ONU, mais de 2,5 milhões de pessoas nas áreas afetadas pelos confrontos enfrentam crise de insegurança alimentar. Espera-se que a situação agrave nos próximos meses e que leve 3 milhões  de pessoas a não conseguir ter alimentos.

Entretanto, um grupo de sete relatores de direitos humanos das Nações Unidas e da União Africana pediu urgentemente ao governo da Nigéria que aumente os seus esforços para libertar todos os civis sequestrados pelas milícias nigerianas.

O apelo ao Boko Haram é que revele imediatamente o paradeiro das meninas e as liberte, juntamente com centenas de pessoas capturadas.

Os especialistas dizem que durante os dois últimos anos, os pais das vítimas não têm visto progressos na localização e libertação das suas filhas, apesar das garantias de oficiais de alto nível do governo nigeriano.

Falsas Esperanças

Os peritos declaram que a falta de acesso à informação aumenta o sofrimento das famílias dos raptados perante as falsas esperanças e frustrações.

Apesar de os especialistas  revelarem que compreendem os motivos de seguranças apresentados como impedimento para divulgação de informações pelas autoridades, eles expressaram a sua profunda preocupação.

Uma das costatações dos peritos é que as queixas das famílias e o seu direito mais básico de serem informadas sobre a situação dos entes queridos têm sido largamente ignorados.

Os especialistas dizem que as autoridades nigerianas devem atender a demanda dos pais para a indicação de um ponto focal para garantir a ligação com as famílias dos raptados e fornecer-lhes informação e assistência regular.

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