Ban cita inspiração pela coragem dos sobreviventes do genocídio ruandês

7 abril 2016

Secretário-geral destaca papel da reconciliação no Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio no Ruanda; mensagem chama a atenção para as ameaças na região africana dos Grandes Lagos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Assinala-se este 7 de abril o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio em Ruanda sob o lema "Combatendo a Ideologia do Genocídio". As Nações Unidas estimam que mais de 800 mil pessoas morreram em 100 dias, em 1994.

Sobre as vítimas, o secretário-geral, Ban Ki-moon, destaca a grande maioria composta por tutsis, mas menciona os hutus moderados, os twa e outros alvos do massacre.

Atrocidades

Ban disse que na data são recordados os mortos no genocídio, e que é "renovada a determinação de evitar que essas atrocidades sejam repetidas" em qualquer parte do mundo.

Para o chefe da ONU, todos deveriam ser inspirados pela coragem dos sobreviventes ao terem demonstrado que "a reconciliação é possível mesmo após uma tragédia".

A mensagem também destaca "graves ameaças à paz e segurança na região africana dos Grandes Lagos" e revela que a cura e a reconstrução continuam a ser essenciais.

Para Ban, honrar as vítimas do genocídio em Ruanda também significa trabalhar pela justiça e responsabilidade.

Tempo e Preparação

Para ele, a melhor forma de garantir que o genocídio e outras violações dos direitos humanos e do direito internacional não ocorram é "reconhecer a responsabilidade partilhada e o compromisso à ação" partilhada para proteger pessoas em risco.

A mensagem do secretário-geral sublinha que o genocídio é um processo que leva tempo e preparação.

Discursos de Ódio 

Após afirmar que nenhuma parte do mundo está imune, Ban indicou que um dos sinais de alerta é a difusão de discursos de ódio em declarações públicas e em meios de comunicação tendo como alvo comunidades específicas.

Para o secretário-geral, é essencial a firmeza de governos, do setor judicial e da sociedade civil contra o tipo de discurso e os que incitam a divisão e a violência. Ele recomenda a promoção da inclusão, do diálogo e do Estado de direito para criar sociedades pacíficas e justas.

Reconciliação

Ban disse que a lição da história do Ruanda é que a capacidade para causar "o mal mais profundo" reside em todas as sociedades, da mesma forma que as qualidades da compreensão, generosidade e reconciliação.

O seu apelo é que essas características sejam "cultivadas na humanidade comum para ajudar a construir uma vida de dignidade e segurança para todos".

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Foto: ONU/Evan Schneider

Sociedade CivilEm 1995, a ONU criou a iniciativa "O Genocídio de Ruanda e as Nações Unidas" com o objetivo de tomar medidas para mobilizar a sociedade civil a favor das vítimas e promover a educação para evitar futuros atos similares.

Atividades em torno do 7 de abril acontecem em mais de 20 países desde 2004, um ano após a proclamação da data pela Assembleia Geral da ONU. A primeira cerimónia marcou o 10º aniversário do acontecimento.

Destinada a Viver

A 11 de abril, o órgão acolhe um evento solene que será marcado pelo acender de uma vela. Os convidados incluem o secretário-geral das Nações Unidas, o presidente da Assembleia Geral, membros do governo ruandês e sobreviventes.

Entre os destaques da cerimónia estará a intervenção da escritora Frida Unuhoza, a autora do livro "Frida: escolhida para morrer, destinada a viver".

*Apresentação: Denise Costa.

 

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