Em reunião global, ONU explica "mudança na natureza dos conflitos"

5 abril 2016

Vice-chefe da organização falou da atuação de grupos que não pertencem a Estados;  Jan Eliasson citou exemplo de intervenção internacional na República Centro-Africana no apoio ao governo de transição.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O vice-secretário-geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, destacou esta terça-feira, na abertura de um encontro em Estocolmo, que ocorreu uma "mudança da natureza dos conflitos e da violência".

O tema da Reunião Global do Diálogo Internacional sobre Construção da Paz e de Estados é "A fragilidade e os pacificadores num mundo em mudança".

Crime Organizado

O representante declarou que "há muito mais atores não-estatais, que muitas vezes fazem parte de redes transnacionais que se juntam ou estão ligadas ao crime organizado".

Eliasson disse que para ajudar a mudar as negociações e a direção que se toma em torno dos temas, é preciso mudar da atual reação a curto prazo para a prevenção, a construção da paz e dos Estados a longo termo.

Desenvolvimento Humano

Quanto à prevenção de conflitos, Eliasson disse que haverá mais ganhos se as chamas do conflito forem apagadas antes que estes representem uma ameaça para a existência de sistemas sociais, económicos e políticos. Para ele, os fatores apoiam o desenvolvimento humano.

De seguida, ele pediu um maior investimento financeiro para a prevenção e a construção da paz. O orçamento da ONU é de cerca de US$ 8,5 mil milhões.

Fundo 

O vice-secretário-geral disse que este ano que não será possível chegar à meta de US$ 100 milhões definida para o Fundo de Consolidação da Paz da ONU.

O terceiro ponto foi o incentivo ao diálogo político inclusivo como um meio para encontrar soluções para os conflitos não resolvidos. O requisito é que o processo, os recursos, as capacidades e as responsabilidades sejam assumidos pelos países.

Eliasson destacou ainda que o foco em resultados mensuráveis exigido pelos doadores não deve conduzir a um desvio a longo prazo de recursos que eram investidos na prevenção, consolidação da paz e construção do Estado.

República Centro-Africana

O representante disse que é preciso inovar e assumir alguns riscos para produzir mudanças reais. Como exemplo, ele citou o facto de a ONU ter pago salários às forças de segurança na República Centro-Africana em apoio ao governo de transição.

Por último, o representante pediu que haja um retorno dos países aos pilares da paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos que formam um todo nas Nações Unidas.

Ele apontou para riscos crescentes em áreas económicas e sociais e da mudança do clima com fenómenos como inundações e secas que continuam a fragilizar as crises financeiras globais. Essas razões "tornam gritantes as desigualdades e elevam as taxas de desemprego entre os jovens".

*Apresentação: Denise Costa.

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