Enviado da ONU encoraja "fim do silêncio sobre exploração e abuso sexual"

30 março 2016

Representante da organização na República Centro-Africana rejeitou o que chama de "duplo horror" causado às vítimas por passarem pela prática e pela exclusão; opinião foi publicada esta quarta-feira em revista dos Estados Unidos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O enviado especial da ONU na República Centro-Africana disse que o combate ao abuso e exploração sexual é antes de tudo uma luta pelos direitos humanos.

Parfait Onyanga-Ananga afirmou que as vítimas não devem sofrer o duplo horror de serem abusadas e excluídas, por terem que passar pela dor da rejeição pela próprias comunidades por causa do estigma cultural após sofrerem ataques.

Silêncio

Num artigo de opinião, publicado esta quarta-feira na revista norte-americana Newsweek, o representante disse que "os dias de silêncio sobre o abuso e exploração sexual terminaram". Ele encorajou as vítimas a abrir-se.

Recentemente, as Nações Unidas apresentaram novas alegações que envolvem crianças e soldados estrangeiros em serviço no país. Em 2015, a República Centro-Africana teve 22 dos 69 casos contra forças de paz em missão pela ONU.

Onanga-Anyang disse ter passado por "choque e aflição" após saber de novas alegações. Um dos exemplos é o caso de uma menina de 14 anos de uma pequena cidade remota, que foi alegadamente violada por forças de paz.

Onanga-Anyanga assumiu a chefia da missão em finais de agosto de 2015, após a renúncia do seu antecessor na sequência de acusações a forças de paz sob o seu comando. 

Compromisso

O representante disse que tanto ele como vários colegas tiveram sentimentos de "desespero e fúria", mas assumiram o compromisso de fazer tudo o que podiam para acabar com os estupros.

Como um dos sinais de esperança citou a resolução 2272 do Conselho de Segurança. O documento declara total apoio à liderança do secretário-geral na erradicação do abuso e exploração sexual em missões de paz da ONU.

A decisão prevê que se autoridades militares ou da polícia de um país contribuinte não levarem os alegados autores a tribunal em seis meses, o chefe da ONU deverá repatriar unidades inteiras.

A medida foi tomada recentemente com as tropas da República Democrática do Congo e da República da Congo.

Coordenadora Especial

A outra esperança que com um maior impacto na luta contra a prática com a nomeação da coordenadora especial do secretário-geral para melhorar a resposta da ONU ao abuso e exploração sexual das forças.

Na operação de paz que chefia, Onanga-Anyanga disse ter assumido a luta contra a prática como uma das principais prioridades com a criação de uma força-tarefa.

Militares e polícias realizam patrulhas em torno de acampamentos da missão para monitorar os momentos em que os seus elementos estão fora de serviço.

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