Estudo sobre derivados do ópio cita Guiné-Bissau, Cabo Verde e Moçambique

30 março 2016

Unodc revela impacto em África de substâncias derivadas da droga produzida no Afeganistão; exemplos mencionam ação de africanos como traficantes, usuários e contrabandistas.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Cerca de 11% dos usuários globais das substâncias derivadas do ópio vivem em África, segundo um novo relatório lançado esta quarta-feira pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc.

O estudo intitulado "O Comércio dos opiáceos afegãos – uma Avaliação de Base" destaca que metade desses consumidores está na África Ocidental e Central.

Lusófonos

O documento revela que os nigerianos estão entre as principais nacionalidades entre os detidos em países importantes como o Paquistão e ao longo da rota dos Balcãs que envolve a Turquia e a Grécia.

Cidadãos da Guiné-Bissau destacam-se entre os grupos de traficantes africanos pioneiros no mercado turco no início da década de 2000.

Cabo Verde é citado pelos 7,6% da população que usa ou tentou usar uma droga ilícita em certo momento da sua vida. Pelo menos 1,6% das pessoas usa uma droga ilícita no país.

Moçambique é mencionado por ser um dos principais países de destino de opiáceos afegãos, juntamente com a África do Sul. Entretanto, o quadro geral do impacto das substâncias na África Austral não é conhecido.

Drogas e Desenvolvimento

O Unodc cita o risco das limitações da aplicação da lei serem aproveitadas por traficantes, o que pode levar ao aumento do tráfico e do uso de drogas que pode inibir o desenvolvimento económico e social da África Austral.

A canábis continua a ser a droga mais usada tanto no continente africano como a nível global e a única produzida no continente para ser exportada em grandes quantidades. A heroína torna-se mais popular em áreas que incluem a África Oriental.

Mudança

O estudo revela ainda que estão a ser usados opiáceos sintéticos como o tramadol em África, o que pode levar ao maior uso das substâncias derivadas do ópio do Afeganistão caso haja uma mudança em relação à heroína.

As taxas de transmissão do HIV e da hepatite C são reveladoras do impacto do uso da heroína de origem afegã na saúde pública na região, apesar de haver dados limitados sobre o tema.

Contrabando

O Unodc vê a África Oriental como um ponto cada vez mais importante no desembarque da heroína enviada do Afeganistão para a África, através do Oceano Índico.

Apesar do aumento no contrabando marítimo, as taxas de apreensão dos opiáceos na África Oriental continuam baixas.

Na região, aumenta o tráfico de drogas através dos transportadores aéreos nas últimas décadas. As redes de tráfico usam redes estabelecidas que levam a heroína e a cocaína para os mercados de destino.

 

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