ONU alerta que malianos podem perder ajuda essencial no Burquina Fasso

30 março 2016

Falta de apoio agrava a situação de refugiados que sofrem com secas, inundações e pobreza; vários procuram agiotas que aplicam juros até 1000%; receio é que problemas levem jovens a aliar-se a grupos armados.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Pelo menos 31 mil refugiados malianos no Burquina Fasso correm o risco de ficar sem ajuda essencial nos próximos três meses.

Em nota publicada esta terça-feira, o Programa Mundial de Alimentação, PMA, e o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, chamam a atenção para a vulnerabilidade e a necessidade de auxílio com o aproximar da época magra.

Emprego e Subsistência

As agências destacam que os malianos são afetados por secas recorrentes, inundações e pobreza crónica além de limitações para ter emprego e meios de subsistência.

O receio é que com a falta de apoio as pessoas possam recorrer a medidas desesperadas que incluem o ingresso de jovens em grupos armados.

O diretor do PMA em Burquina Fasso, Jean-Charles Dei, disse que já são observadas pessoas que recorrem a meios extremos para sobreviver como acumular dívidas para comprar comida.

Agiotas

O Acnur publicou um estudo com a ONG Kalyta que indica que agiotas informais cobraram taxas de juros que chegaram a 1000% em 2015.

Assistência Alimentar

O Alto Comissariado e o PMA  apoiam o governo do Burquina Fasso e organizações não-governamentais na ajuda às pessoas que fugiram do conflito no norte do Mali. O financiamento é feito por doadores externos.

O PMA forneceu ajuda alimentar para até 31 mil malianos através de rações e transferências de dinheiro. Entretanto, a falta de fundos obrigou a agência a cortar a sua assistência alimentar durante um mês no fim de 2015.

Necessidades Nutricionais

A medida levou a agência a reduzir rações e a prestar assistência não monetária este ano. Cerca de um quarto dos refugiados não têm alimentos suficientes para satisfazer as suas necessidades nutricionais.

O Acnur em Burquina Fasso disse que é "crucial continuar a prestar assistência a refugiados malianos no país".

A agência regista melhorias consistentes em termos de acesso a alimentos e apoio nutricional desde 2012, como resultado de "esforços conjuntos que devem continuar".

*Apresentação: Denise Costa.

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