Faltam recursos para vacinação contra febre-amarela em províncias de Angola

25 março 2016

OMS revelou que surto causou morte de 178 pessoas e registou 450 infetados; pacientes também são testados para detetar infecao pelo vírus zika; desafio é imunizar pessoas fora de Luanda, onde mais de 5,7 milhões foram vacinadas.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que são necessários mais fundos para fazer chegar vacinas contra a febre-amarela a mais províncias de Angola.

Mais de 450 pessoas ficaram doentes e 178 morreram na capital Luanda, na primeira epidemia a atingir o país em mais de três décadas. O primeiro paciente foi registado em dezembro passado.

Novos Casos

Falando à Rádio ONU da cidade angolana, o representante da OMS, Hernando Agudelo, disse que pelo menos cinco das 18 províncias já relataram novos casos.

"O que falta é o compromisso ou recursos para comprar vacinas para fazer a imunização em todas as províncias. Eles (as autoridades) já se comprometeram em pagar 50% dos valores para Luanda e também em dar mais US$ 20 milhões para a compra das vacinas para o resto do país. Mas há primeiro o compromisso e a outra coisa é a necessidade de pagar a vacina imediatamente. O Ministério da Saúde comprometeu-se a pagar para fazer a vacinação a nível nacional porque nós não podemos dar a vacina totalmente."

O vírus da febre-amarela é transmitido pelo mesmo mosquito que espalha o vírus zika, o Aedes aegypti. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor muscular, náuseas, vómitos e fadiga.

Fase Grave

Uma pequena parte dos infetados passa pela fase mais grave da doença que inclui febres altas, icterícia e hemorragia interna. Cerca de metade dos doentes nessa situação e sem tratamento pode morrer entre 10 a 14 dias após a contaminação.

O representante disse que são igualmente feitos testes simultâneos para detetar se os pacientes de febre-amarela podem ter o zika, mas ainda não foram identificados casos do vírus. Agudelo manifestou apreensão com os óbitos.

Especialistas

"Agora temos que evitar que nas áreas urbanas, onde há maior risco de transmissão e de mortos, vacinemos para evitar ter mortos porque onde as pessoas estão vacinadas o alastramento é evitado."

De acordo com a OMS, mais de 5,7 milhões de pessoas já foram vacinadas contra a febre-amarela em Luanda.

A agência apoiou o país com US$ 500 mil, um sistema para gerir incidentes e cerca de 65 especialistas. As áreas dos técnicos incluem epidemiologia, controlo de vetores, envolvimento da comunidade e apoio à campanha de vacinação.

*Apresentação: Denise Costa.

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