PMA quer fazer chegar alimentos a 750 mil vítimas do Boko Haram

23 março 2016

Meta equivale a um aumento de um quarto em relação aos 600 mil beneficiários de 2015 na Bacia do Lago Chade; fome leva deslocados a mendigar, a desistir da escola ou a recorrer ao trabalho mal pago em áreas de acolhimento.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, quer alargar a entrega alimentar para as vítimas das milícias Boko Haram na bacia do Lago Chade em resposta ao aumento da insegurança alimentar, à malnutrição e aos desalojamentos.

A meta para este ano é chegar a um total de 750 mil pessoas, num aumento equivalente a um quarto dos beneficiários atuais. Mas a agência disse ter recebido apenas 17% dos US$ 123 milhões que precisa até o fim do ano.

Pessoas Vulneráveis

Em nota emitida esta quarta-feira, a agência revela que a ideia é continuar a prestar assistência alimentar e nutricional às comunidades anfitriãs, aos deslocados e às pessoas vulneráveis.

O número de crianças do ensino primário e secundário caiu de quase meio milhão de pessoas para cerca de 130 mil no norte da Nigéria.

Somente sete estabelecimentos funcionam em toda a região, juntamente com escolas temporárias e de emergência em áreas com deslocados. A maioria das pessoas vem de áreas ainda inacessíveis e muito afetadas pela violência das milícias nigerianas.

Acampamentos

O conflito já provocou 2,2 milhões de deslocados e estima-se que um em cada 10 deslocados pelo Boko Haram esteja a viver em comunidades locais, ao invés de assentamentos formais ou acampamentos. Tanto os desalojados como as comunidades anfitriãs sofrem de fome.

A agência menciona que além de crianças menores de cinco anos que tiveram algum alimento nutritivo, os deslocados receberam pouco ou nenhum apoio perante um cenário em que esgotam os recursos comunitários.

A situação leva as vítimas a recorrer à mendicidade, o que implica na saída dos filhos da escola ou o envolvimento em trabalho não qualificado e mal pago.

Dinheiro

Este mês, a agência lançou uma iniciativa de telefonia móvel que atribui ajuda em dinheiro a mais de 4 mil deslocados da cidade nordestina de Maiduguri. O programa foi implementado com o governo nigeriano e outros parceiros.

Nos estados nigerianos de Borno e Yobe, que são os mais afetados pelos combates, o PMA pretende atingir cerca de 70 mil carenciados.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

 

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