Estragos causados pelo El Niño levam PMA a estender ajuda ao Zimbabué

17 março 2016

Decisão veio após o anúncio de que 2,8 milhões de pessoas no país não têm o que comer e têm pouca ou nenhuma garantia de acesso à comida; seca já causou a morte de milhares de cabeças de gado e reduziu renda de pequenos produtores.

Michelle Alves de Lima, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, anunciou que vai estender sua assistência ao Zimbabué devido aos impactos causados pelo El Niño na segurança alimentar do país.

A ajuda continuará até o fim deste ano e o início de 2017. Geralmente, ela é concedida apenas de outubro a março para amparar as pessoas em situação vulnerável durante a época pré-colheita.

Segundo o diretor do PMA no Zimbabué, Eddie Rowe, é preciso que a comunidade de doadores “continue a financiar as operações da agência”. Serão necessários US$ 220 milhões para que o PMA consiga cumprir a sua meta de auxiliar 2,2 milhões de pessoas até março de 2017.

Acesso à comida

A decisão de estender o período da ajuda veio após o Comité de Avaliação da Vulnerabilidade do Zimbabué anunciar que 2,8 milhões de pessoas, o que equivale a mais de 25% da população rural do país, não têm o que comer e têm pouca ou nenhuma garantia de acesso à comida.

Durante o mês de março, a agência da ONU está a providenciar comida e dinheiro para 730 mil vulneráveis. Com o auxílio do governo e de parceiros de desenvolvimento, as operações devem ser ampliadas.

El Ninõ

O alto nível de insegurança alimentar no país deve-se à fraca colheita registada no ano passado, que foi 50% menor que a do ano anterior, combinada à redução das chuvas na região da África austral, resultado do fenómeno climático El Niño.

Estes eventos climáticos devem continuar a trazer problemas nos próximos meses. Eles têm coincidido com a época de crescimento das plantações e causaram secas desastrosas para pequenos produtores.

De acordo com previsão da Iniciativa de Monitoramento da Agricultura Global, Geoglam, na sigla em inglês, a colheita de milho em abril e maio nas regiões sul e leste do país será “um fracasso”.

Desnutrição

Embora ainda não seja possível medir o impacto total do El Niño, a seca já causou muitos estragos, como a morte de milhares de cabeças de gado e a redução da renda de pessoas que dependem da agricultura ocasional para sustentar suas famílias.

A desnutrição aguda em crianças com menos de cinco anos no Zimbabué chegou ao seu nível mais alto em 15 anos: 5.7%. E também há relatos de crianças que não estão mais a ir à escola por causa da fome.

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