Uma em cada três crianças sírias nasceu no período da guerra
BR

14 março 2016

Relatório do Unicef mostra que 3,7 milhões de crianças tiveram suas vidas marcadas pela violência, medo e deslocamentos nos últimos cinco anos; agência da ONU diz ainda que mais de 80% dos menores de idade foram afetados pelo conflito que começou em 2011.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alertou que 3,7 milhões de crianças sírias, o equivalente a uma em cada três, nasceram durante o período da guerra na Síria, que começou em 15 de março de 2011.

No momento em que o conflito completa cinco anos, a agência da ONU divulgou um relatório, esta segunda-feira, dizendo que 8,4 milhões de crianças, mais de 80% da população infantil do país, foram afetadas pela crise, dentro ou fora do país.

Medidas

Segundo o Unicef, esses menores de idade tiveram suas vidas marcadas por violência, medo e deslocamentos. O documento diz ainda que 151 mil crianças nasceram como refugiadas nesses últimos cinco anos.

O relatório pede à comunidade internacional que adote cinco medidas para proteger a atual geração de crianças.

Em primeiro lugar, devem acabar as violações contra os direitos das crianças. Os lados em conflito devem suspender os cercos e permitir o acesso à ajuda humanitária.

Neste ano, os países devem garantir US$ 1,4 bilhão, o equivalente a mais de R$ 5 bilhões, para a educação desse grupo. O Unicef recebeu apenas 6% do dinheiro necessário para cobrir as operações para salvar crianças tanto na Síria como nos países vizinhos em 2016.

A agência da ONU quer também restaurar a dignidade e fortalecer o bem-estar dessas crianças.

Violência

O diretor regional do Fundo para o Oriente Médio e norte da África, Peter Salama, declarou que “na Síria, a violência se tornou uma coisa comum nas residências, escolas, hospitais, clínicas, praças e locais onde são realizados cultos”.

Salama disse que “quase sete milhões de crianças sírias vivem na pobreza”. O relatório verificou 1,5 mil violações graves contra os menores de idade no ano passado.

Mais de 60% desses casos foram assassinatos e mutilições devido a explosões de bombas em áreas de população civil. Mais de um terço dessas crianças morreu a caminho ou dentro da escola.

Nos países vizinhos da Síria, o número de refugiados é quase 10 vezes mais alto do que em 2012, sendo que metade desse total é de crianças. O Unicef mostrou ainda que 15 mil crianças desacompanhadas ou separadas da família atravessaram a fronteira da Síria.

Casamento Precoce

O diretor regional do Fundo disse também que “nos cinco anos de guerra, milhões de crianças amadureceram mais rápido do que o normal”. Além disso, Salama afirmou que “com a continuação do conflito elas continuam abandonando as escolas e muitas são forçadas a realizar trabalho forçado ou a casamento precoce”.

O Unicef declarou que no início da guerra, a maioria das crianças e adolescentes recrutados para lutar no conflito eram meninos entre 15 e 17 anos. Eles eram usados em operações de apoio, longe das frentes de combate.

Mas desde 2014, todas as partes em conflito recrutaram crianças muito mais novas, uma de apenas sete anos, sem a permissão dos pais. Mais da metade dos casos verificados pela agência da ONU no ano passado, era de crianças menores de 15 anos.

O relatório explica que esses menores estão recebendo treinamento militar e participando de combates ou realizando missões arriscadas nas frentes de batalha. Eles são responsáveis pelo carregamento e manutenção das armas, levar material para os postos de checagem e tratar ou remover feridos.

Iniciativa

As crianças estão sendo usadas por todas as partes para matar os adversários, sendo como executores ou atiradores de elite.

O Unicef diz ainda que um dos maiores desafios está sendo fornecer educação às crianças. O comparecimento nas escolas atingiu o nível mais baixo da história.

A agência da ONU calcula que mais de 2,1 milhões de crianças dentro da Síria e 700 mil nos países vizinhos estão fora das salas de aula. Para combater o problema, o Unicef lançou a “Iniciativa Nenhuma Geração Perdida”.

O objetivo é restaurar o aprendizado e prover oportunidades aos jovens sírios.

Salama deixou claro que “ainda não é tarde para as crianças sírias. Elas continuam tendo esperança de uma vida digna e compartilham sonho de paz”.

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