Nova iniciativa da ONU protege milhões de meninas do casamento precoce

8 março 2016

Se atuais tendências continuarem 1 mil milhão de mulheres e meninas terão casado enquanto crianças até 2030; Unicef e Unfpa participa na parceria anunciada no Dia Internacional da Mulher.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Uma nova iniciativa das Nações Unidas busca aumentar as ações para acabar com o casamento precoce até 2030. A parceria pretende também proteger os direitos de milhões das meninas mais vulneráveis em todo o mundo.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e o Fundo das Nações Unidas para População, Unfpa, anunciaram a iniciativa esta terça-feira, Dia Internacional da Mulher.

Esforço Global

O programa é parte de um esforço global para evitar que meninas se casem muito jovens e apoiar as que já estão casadas em 12 países em África, na Ásia e no Médio Oriente onde os índices de casamento infantil são altos.

Em nota, o chefe do Unfpa, Babatunde Osotimehin, afirmou que como parte do programa, a agência “vai trabalhar com países onde a incidência da prática é alta para defender os diretos das adolescentes, para que as meninas possam alcançar seu potencial e os Estados possam atingir suas metas de desenvolvimento económico e social”.

Decisão Importante

O representante ressaltou ainda que “escolher quando e com quem se casar é uma das decisões mais importantes da vida” e “o casamento infantil nega essa escolha a milhões de meninas todos os anos”.

Com o envolvimento das famílias, das comunidades, dos governos e dos jovens, a iniciativa vai se concentrar em estratégias comprovadas.

Os planos incluem aumentar o acesso de meninas à educação e aos serviços de saúde, educar pais e comunidades sobre os perigos do casamento infantil, aumentar o apoio económico às famílias e fortalecer leis que estabeleçam 18 anos como idade mínima para o casamento.

Destinos

Já o chefe do Unicef, Anthony Lake, afirmou que o “este novo programa global vai ajudar nas ações para chegar as meninas em situação de maior risco e ajudar mais raparigas e jovens mulheres a realizar o seu direito de decidir o seu próprio destino”.

Para Lake, isso é “fundamental” porque se as atuais tendências continuarem, o número de mulheres e meninas casadas enquanto crianças deve chegar a 1 mil milhão até 2030”.

Infância Perdida

Lake  destacou “1 mil milhão de infâncias perdidas, 1 mil milhão de futuros arruinados”.

O casamento infantil é uma violação dos direitos das meninas e mulheres. Raparigas casadas enquanto crianças tem probabilidade maior de sair da escola, sofrer violência doméstica, contrair HIV/Sida e morrer devido a complicações durante a gravidez e o parto.

As agências ressaltaram ainda que a prática prejudica a economia e conduz a ciclos de pobreza que podem afetar diversas gerações.

 

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