Número de civis mortos no Iémen é o maior em cinco meses

4 março 2016

Em fevereiro, Escritório de Direitos Humanos registou 168 mortes e 193 feridos; informe destaca alegado lançamento de bombas de fragmentação por forças da coligação; maior número de bombardeamentos ocorreu em Sanaa.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As Nações Unidas alertaram esta sexta-feira para o número crescente de mortos no Iémen, onde 168 pessoas perderam a vida em fevereiro.

Pelo menos 193 pessoas ficaram feridas em ataques aéreos, havendo dois terços das vítimas atribuídos à coligação que apoia o governo. O Escritório para os Direitos Humanos destaca a morte de 117 civis e 129 feridos nesses incidentes.

Mais Mortes

A capital Sanaa teve 99 vítimas, o maior número registado no mês marcado por mais mortes desde setembro.

A informação foi divulgada horas depois do Conselho de Segurança da ONU ter anunciado que pretende tomar uma decisão que exige o acesso de auxílio e o fim dos ataques indiscriminados no Iémen.

Falando à Rádio ONU, em Nova Iorque, o embaixador de Angola junto à ONU disse haver "grande preocupação" do órgão com a situação no país, que é marcado pela continuação da violência.

Circulação

"Haverá, sim, possivelmente, uma resolução sobretudo sobre a questão humanitária no Iémen e a necessidade de tornar mais livre a entrega, a distribuição e a circulação dos comboios com ajuda humanitária para a população."

De acordo com as Nações Unidas, 3.081 civis foram mortos e 5.733 ficaram feridos desde 26 de março de 2015. Os números correspondem a civis e não incluem baixas entre os combatentes de ambos os lados.

Ataque Aéreo

O pior incidente em fevereiro ocorreu na passada sexta-feira, quando morreram 39 civis, incluindo nove crianças. As vítimas resultaram de ataque aéreo ao mercado Khaleq num bairro do nordeste de Sanaa.

Combates e bombardeamentos indiscriminados dos membros dos Comités Populares afiliados aos rebeldes houthis e de unidades do exército leais ao ex-presidente Ali Saleh mataram 49 civis nas cidades de Taiz, Ibb e Al Jawf.

A infraestrutura continuou a ser destruída ou danificada por ambas as partes que atingiram locais civis protegidos.

Bombas de Fragmentação

Há também preocupantes alegações do lançamento de bombas de fragmentação por forças da coligação, numa área montanhosa de uma fábrica de cimento em Amran. O alvo seria uma unidade militar leal aos rebeldes houthis.

Um jornalista morreu em meados de fevereiro, em Taiz, vítima de um atirador que parecia ter como alvo uma região controlada por membros dos Comités Populares. Outros dois profissionais da escrita foram detidos por suspeitos apoiantes das milícias.

 

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