Nigéria: ataques suicidas do Boko Haram ocorrem quase que diariamente

3 março 2016

Ocha relata aumento de crianças, adolescentes e mulheres envolvidos; mais de 9,2 milhões de pessoas carecem de auxílio humanitário; registados mais casos de recrutamento de meninas para ataques.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, Ocha, disse esta quinta-feira que aumenta a frequência de atentados suicidas das milícias nigerianas Boko Haram. Os ataques ocorrem em "mais locais e quase todos os dias".

Devido à violência, 9,2 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária. Pelo menos 20,1 milhões de civis vivem nas áreas afetadas pela violência do  Boko Haram na Nigéria.

Explosivos

As ações dos insurgentes contra as aldeias e o uso de explosivos improvisados continuam a causar devastação generalizada.

Em nota, a entidade da ONU disse que mais crianças, adolescentes e mulheres são envolvidos na maioria dos ataques suicidas. Os alvos são civis em mercados e mesquitas, e cada vez mais, em locais que abrigam deslocados internos.

Recrutamento de Crianças

Há também relatos do recrutamento de crianças, em particular de meninas e mulheres, para realizar os ataques.

O resultado é a estigmatização sofrida por elas, que levou a um aumento da aceitação da violência sexual e baseada no género, além de práticas culturais prejudiciais como o casamento precoce e forçado.

O Ocha aponta o risco da convivência social especialmente nos vizinhos Camarões, Chade e Níger. A razão é que algumas comunidades são acusadas de ter ligações com Boko Haram e por isso enfrentam estigma e perseguição.

Falta de Confiança

Confrontos recentes entre membros de várias comunidades foram motivados pela falta de confiança em relação aos refugiados, deslocados e pessoas da mesma etnia que os membros do Boko Haram.

Vários ataques foram frustrados por grupos de vigilantes criados pelas autoridades. Entretanto, estes teriam supostamente cometido execuções contra as minorias.

Cerca de  4,5 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar grave da Nigéria, estando nove em cada 10 no nordeste do país.

*Apresentação: Denise Costa.

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