Perito quer maior aplicação da lei para preservar fauna bravia em Moçambique

3 março 2016

Especialista Carlos Bento afirma que o país enfrenta desafios para proteção dos animais e plantas selvagens; desafios incluem intensificar educação ambiental e fiscalização; anualmente, 2,5 mil elefantes são abatidos ilegalmente no país.

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo.

No Dia Mundial da Vida Selvagem, assinalado este 3 de março, o secretário-geral da ONU apelou a todos os cidadãos, empresários e governos para que façam a sua parte na proteção dos animais e plantas selvagens do mundo.

A Rádio ONU ouviu o especialista Carlos Bento, do Museu da História Natural de Maputo, que descreve o estado atual da fauna no país.

Tendência

“A fauna em Moçambique está em declínio. Grande parte da fauna que prevalece no país está confinada dentro das áreas de conservação. Nas zonas comunais já não há fauna nenhuma, só temos algumas espécies que não são de grande envergadura. O conceito da conservação está a funcionar, apesar de tantos problemas que temos da caça furtiva, ainda temos uma parte da fauna. Temos que fazer muito mais para podermos manter as populações que estão lá e revertermos a tendência do declínio da fauna.”

Bento cita alguns desafios que consistem na sensibilização e na aplicação da legislação.

Disciplina

“Intensificar a educação ambiental em relação às pessoas, mas também temos de tomar outras medidas que parecem que não são muito importantes, mas são, como a fiscalização. Se fizermos uma ação compulsiva, as pessoas facilmente são penalizadas, facilmente as pessoas ganham disciplina, então a partir daí a gente vai aplicando outras medidas que são necessárias para revertermos essa situação. Nós temos uma boa legislação em Moçambique para a preservação da fauna, mas é preciso investir um pouco mais na aplicação dessa legislação.”

No ano passado, os Estados-membros das Nações Unidas adotaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que incluem metas específicas para acabar com a caça furtiva.

Elefantes

O tema do Dia Mundial da Vida Selvagem é “O futuro da vida selvagem está em nossas mãos”. O subtema está relacionado à proteção dos elefantes.

A caça ilegal aos elefantes tem sido impulsionada pela procura de esculturas de marfim com destino à Ásia, onde muitos consumidores pensam que os "dentes de elefante" simplesmente caem e voltam a crescer, sem ferir o animal.

No entanto, o marfim só é conseguido através de elefantes mortos.

 

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