Estado Islâmico "tira vantagens de vazio político na Líbia"

2 março 2016

Representante das Nações Unidas disse que grupo atua sem controlo em várias áreas; várias pessoas foram decapitadas na semana passada; enviado fala de risco de divisão e colapso caso processo político fracasse.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O enviado das Nações Unidas para a Líbia pediu esta quarta-feira a união e a reforma das forças de segurança devido à situação atual e a expansão do Daesh, designação em árabe para o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.

No Conselho de Segurança, o representante do secretário-geral no país, Martin Kobler, apelou ao Conselho de Presidência e ao Governo do Acordo Nacional a criar rapidamente um mecanismo para atingir esse objetivo.

Vazio Político

No informe sobre a situação líbia, o enviado disse que a divisão entre os que participam na segurança e a sua preocupação em reforçar a sua influência em regiões por eles controladas permite que o Daesh opere sem controlo em várias áreas. O grupo está a "tirar partido do vazio político e do vazio de segurança no país".

Kobler mencionou um ataque aéreo recente contra o grupo em Sabratha, que foi seguido pela escalada confrontos, nos quais as forças de segurança e os grupos armados locais tentaram expulsar o Daesh da cidade.

Atrocidades

O enviado disse que num ataque na semana passada, o Estado Islâmico matou 17 pessoas, sendo várias por decapitação. O representante atribuiu ao grupo o tipo de ações e as atrocidades que ocorrem na cidade de Sirte, considerado o seu reduto.

Kobler defende que o Daesh é uma ameaça urgente e crescente na Líbia e na região, onde as nações vizinhas sofrem as consequências diretas da instabilidade.

Solução Política

Cerca de 2,4 milhões de pessoas precisam de ajuda na Líbia, incluindo 1,3 milhão que não têm o suficiente para comer. Pelo menos 40% das unidades de saúde não funcionam em todo o território.

O responsável revelou que está empenhado em envolver as várias nações na busca de uma solução política para a crise.

Para ele, o combate ao extremismo violento só pode ser sustentável se for conduzido por um governo de unidade nacional que dê prioridade a uma agenda nacional.

Cessar-fogo

O objetivo deve ser enfrentar os desafios mais imediatos do país e trabalhar para satisfazer as aspirações e expectativas do povo líbio.

Em Bengazi, o conflito transformou áreas significativas em ruínas. Para a segunda maior cidade líbia, Kobler disse que um cessar-fogo humanitário, a entrega de auxílio e um fundo de reconstrução são prioritários para o novo governo.

Processo Político

Kobler afirmou que várias metas foram cumpridas no processo para a transição democrática, mas este "continua precário". Como destacou, há necessidade de o país avançar com o processo político ou arriscar-se à divisão e ao colapso.

Ele destacou que a Líbia não pode continuar a ser refém de minorias da Câmara dos Deputados e do Congresso Geral Nacional, os dois parlamentos rivais existentes.

 

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