Situação alimentar na República Centro-Africana é “extremamente grave”

1 março 2016

Novo relatório mostra alta nos preços e produção de alimentos muito abaixo dos níveis pré-crise; alerta é da FAO e do PMA; agêcias da ONU destacam que “revitalizar a agricultura é fundamental para paz duradoura”.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Três anos de conflito e deslocamentos na República Centro-Africana continuam a prejudicar a agricultura e a restringir gravemente o acesso das pessoas à comida.

O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA, esta terça-feira.

Produção Fraca

As duas agências da ONU ressaltaram a luta das pessoas com os efeitos de diversas colheitas fracas, problemas nos mercados e alta dos preços de muitos alimentos básicos.

A produção geral de alimentos do país em 2015 continuou cerca de 54% abaixo da média antes da crise, apesar do aumento de 10% em relação a 2014, devido a um aumento na produção de mandioca.

Os dados estão na última avaliação sobre produção e segurança alimentar conduzida pela FAO e pelo PMA.

A colheita de cereais continuou a cair no último ano com uma produção 70% mais baixa do que a média pré-crise.

Preocupação

Para o representante da FAO na República Centro-Africana, os últimos números “causam preocupação, não apenas porque as pessoas deixam de fazer refeições e cortam porções, mas também porque optam por alimentos menos nutritivos, que oferecem menos proteínas e vitaminas do que eles precisam”.

Segundo Jean-Alexandre Scaglia, cerca de 75% das pessoas no país dependem da agricultura.

Com a época de plantio a começar daqui a menos de dois meses, o representante alertou: “impulsionar a agricultura é crucial para revitalizar a economia e estabilizar o país”.

O diretor do PMA no país, Bienvenu Djossa, afirmou que a situação é “extremamente grave” e que “metade da população passa fome”.

Djossa ressaltou ainda que “é fundamental continuar a ajudar os mais vulneráveis, que precisam de assistência alimentar de emergência para sobreviver”.

O PMA e a FAO trabalham juntos para fornecer sementes e comida durante a temporada de plantio.  Segundo o diretor do PMA, essa é a época em que as pessoas precisam do máximo de ajuda possível, já que é também o período em que as pessoas “lutam para ter o suficiente para comer antes da próxima colheita”.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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