Aiea fornece técnica nuclear para ajudar Brasil no combate ao zika
BR

24 fevereiro 2016

Agência Internacional de Energia Atômica está doando um irradiador que deve chegar ao país nos próximos meses; técnica do mosquito estéril busca eliminar populações dos insetos que transmitem o vírus da doença.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

A Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, anunciou planos de facilitar a transferência ao Brasil de uma técnica nuclear para reduzir as populações dos mosquitos que transmitem o zika vírus.

O objetivo é ajudar o país no combate à doença. Nesta semana, a agência está reunindo especialistas de todo o mundo em Brasília para discutir e fazer recomendações sobre métodos não convencionais de controle, como a técnica do inseto estéril no Brasil e na região.

Inseto Estéril

De Brasília, onde participa da reunião, o vice-diretor do Departamento de Ciências e Aplicações Nucleares da Aiea, Aldo Malavasi, falou à Rádio ONU.

“Já existe no Brasil uma organização social, que é a Moscamed Brasil, que já tem a capacidade de produzir um grande número desses mosquitos e esterelizá-los. A agência está doando um equipamento, um irradiador de Cobalto 60 que deverá chegar no Brasil nos próximos meses. Nós estimamos isso até aproximadamente julho, porque é uma logística complicada trazer equipamento da Europa até a cidade de Juazeiro, no interior da Bahia”.

Segundo Malavasi, ao mesmo tempo, a agência já está fazendo, até março, a transferência “da linhagem que será utilizada neste projeto”.

Bahia e Pernambuco

“Nós esperamos que, tudo junto, a produção aumentada e continuada dos insetos e a esterilização utilizando o Cobalto 60 nós, segundo o nosso cronograma, a partir de setembro nós teremos então a liberação desses milhares ou, esperamos depois de pouco tempo, milhões nesta área do interior do Brasil”.

O diretor da Moscamed, Jair Virgínio, afirmou que o irradiador vai permitir que a instalação “produza até 12 milhões de mosquitos machos Aedes aegypti estéreis, chegando a 750 mil pessoas em 15 municípios na Bahia e Pernambuco, estados que têm sido particularmente afetados pelo zika”.

Em 1º de fevereiro, a chefe da Organização Mundial da Saúde, OMS, Margaret Chan, que está no Brasil, declarou “que os recentes casos de microcefalia e outras anormalidades neurológicas relatados na América Latina, após casos semelhantes na Polinésia Francesa em 2014, constituem uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”.

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