ONU pede ações para combater crescente número de crianças mortas no mar
BR

19 fevereiro 2016

Em comunicado conjunto, Acnur, Unicef e OIM pedem mais proteção para refugiados e migrantes; uma média de duas crianças se afogaram todos os dias desde setembro de 2015 enquanto suas famílias tentam atravessar Mediterrâneo. 

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Uma média de duas crianças se afogaram todos os dias desde setembro de 2015 enquanto suas famílias tentam atravessar o mar Mediterrâneo e o número de mortes de menores está aumentando.

Em comunicado conjunto publicado nesta sexta-feira, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e a Organização Internacional para Migrações, OIM, pediram mais segurança para as pessoas fugindo de “conflito e desespero”.

Aylan Kurdi

Desde setembro do ano passado, quando a trágica morte do menino sírio Aylan Kurdi chamou a atenção do mundo, mais de 340 crianças, muitas delas bebês, se afogaram no Mediterrâneo oriental.

Segundo as agências, no entanto, o número total de mortos pode ser ainda maior, com seus corpos perdidos no mar.

Vidas Inocentes

As crianças representam atualmente 36% das pessoas em movimento. Durante as primeiras seis semanas de 2016, 410 pessoas se afogaram, de 80 mil tentando atravessar o Mediterrâneo oriental. Isto representa um aumento de 35 vezes em comparação a 2015.

O chefe do Unicef  declarou que “não se pode virar o rosto para a tragédia de tantas jovens vidas inocentes e futuros perdidos”.

Anthony Lake defendeu ainda que países “podem, e devem, cooperar para tornar viagens tão perigosas mais seguras” e lembrou: “ninguém põe uma criança em um barco se uma opção mais segura estiver disponível”.

Rota Mortal

O trecho do Mar Egeu entre a Turquia e a Grécia está entre as rotas mais mortais do mundo para refugiados e migrantes.

O mar agitado no inverno e a qualidade ruim dos barcos aumentam o risco de naufrágio, tornando a viagem ainda mais perigosa.

Famílias

O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, pediu o fim dessas “mortes trágicas” e afirmou que são necessárias mais ações para combater o contrabando de pessoas.

Ele ressaltou ainda que “muitos dos adultos e crianças que morreram estavam tentando se unir a familiares na Europa”. Por isso, Grandi afirmou que “organizar formas das pessoas viajarem legalmente, e de forma mais segura, através de programas de reassentamento familiar, por exemplo, deve ser uma prioridade absoluta”.

Responsabilidade Global

O secretário-geral da ONU convocou uma reunião de alto nível sobre a partilha global de responsabilidade através de caminhos legais para admissão de refugiados sírios. O encontro será em Genebra, em 30 de março.

O diretor-geral da OIM destacou que “é preciso agir” e que “contar vidas não é o suficiente”.

William Lacy Swing declarou ainda que a questão não é apenas um problema do Mediterrâneo ou Europeu: “é uma catástrofe humanitária sendo formada que exige o envolvimento de todo o mundo”.

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