PMA vai introduzir transferências de dinheiro para vítimas do Boko Haram

17 fevereiro 2016

Objetivo é permitir compra de alimentos e estimular economias locais no Chade e nos Camarões; desde dezembro, mais de 400 mil nigerianos fugiram do nordeste do seu país devido à violência.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, anunciou que pretende introduzir gradualmente as transferências de dinheiro para que os recém-deslocados pela violência do Boko Haram possam comprar comida no Chade e nos Camarões.

A agência pretende cobrir a carências alimentares e ao mesmo tempo injetar dinheiro na economia das áreas onde a comida está disponível e os mercados funcionam.

Insegurança

O PMA e os seus parceiros ofereceram ajuda alimentar e nutricional essencial a mais de 5 mil deslocados no Chade na semana passada. A assistência foi dada pela primeira vez após o corte do apoio devido à insegurança e às preocupações com o acesso.

Este mês, a meta da distribuição é que possa beneficiar até 35 mil deslocados.

A diretora do PMA no Chade, Mary-Ellen McGroarty, disse que em áreas do norte do distrito de Baga Sola os locais de deslocamento cresceram rapidamente para 22 em poucos meses.

Milho

A representante mencionou um esforço feito pelos habitantes para sobreviver, ao destacar que algumas pessoas viveram do consumo de milho durante várias semanas.

Ao falar dos desafios enfrentados, ela contou que não há estradas para chegar a certos locais e que uma viagem de ida leva até 300 quilómetros em estrada de terra batida.

Violência

Mais de 400 mil pessoas foram deslocadas pela violência no nordeste da Nigéria e ao longo das zonas fronteiriças desde dezembro.

O PMA destaca que o número de desalojados nos vizinhos Níger, Camarões e Chade quase duplicou durante o período.

Calcula-se que 2,8 milhões tenham fugido das suas casas devido ao conflito e que 2,2 milhões estejam em território nigeriano.

Comércio

A busca por meios de subsistência, a produção e a compra de alimentos continuam a ser limitados por fatores como insegurança, deslocamentos e interrupção de atividades agrícolas e comércio transfronteiriço.

Mais de 5,6 milhões de pessoas devem passam fome em áreas afetadas pela violência nos quatro países onde atuam as milícias Boko Haram.

A agência prevê aumentar a sua assistência dos atuais 600 mil para cerca de 750 mil beneficiários, que incluem refugiados, deslocados internos, retornados e comunidades de acolhimento.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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