Medidas restritivas contra refugiados na Europa preocupam ONU
BR

12 fevereiro 2016

Agência das Nações Unidas para refugiados afirma que mecanismos de apoio devem ser implementados urgentemente para proteger direitos humanos de mais de 2 mil pessoas que chegam ao continente pelo mar diariamente.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, demonstrou preocupação esta sexta-feira com as medidas restritivas impostas pela Europa contra refugiados e migrantes.

Segundo a agência da ONU, é necessária a implementação urgente de mecanismos de proteção dos direitos humanos para as mais de 2 mil pessoas que chegam diariamente ao continente em travessias perigosas pelo Mar Mediterrâneo.

Inverno Rigoroso

A porta-voz do Acnur, Melissa Fleming, disse em Genebra que apesar do mar “agitado”, do inverno rigoroso e das dificuldades encontradas na sua chegada, mais de 80 mil refugiados e migrantes desembarcaram na Europa nas seis primeiras semanas de 2016.

Fleming afirmou que mais de 400 pessoas morrerram tentando fazer a travessia pelo Mediterrâneo desde o início do ano.

Ela explicou que quase 58% dos refugiados e migrantes que chegaram à Europa em janeiro eram mulheres e crianças. Na Grécia, mais de 30% eram menores de idade.

Situação

Para lidar com a situação, a porta-voz espera que os membros da União Europeia implementem rapidamente as medidas acordadas no ano passado para lidar com a crise de refugiados.

Entre elas está o processo de realojamento para outros países de 160 mil pessoas que já estão na Grécia e na Itália.

Fleming lamentou que apesar dos pedidos do Acnur para que a UE amplie as formas legais para que os refugiados possam pedir asilo, muitas nações estão fazendo exatamente o contrário.

Para ela, “isso sugere que os países estão dando prioridade a deixar refugiados e migrantes fora de seus territórios do que encontrar soluções realistas”.

Fleming citou as medidas restritivas para a reunificação de famílias impostas pela Dinamarca, em janeiro, que aumentam de um para três anos o prazo para que um refugiado possa pedir ao governo permissão para trazer a mulher e os filhos.

Leia Mais:

Refugiados sírios voltam para casa apesar da guerra

Mortes no Mar Mediterrâneo atingem 374 neste ano

Acnur e Ocde pedem maior integração das políticas em favor dos refugiados